Ruto confirma data de lançamento da pedra fundamental da refinaria de Dangote com capacidade de 700 mil barris/dia

2026-07-09 13:39
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De acordo com pt.wedoany.com-O presidente do Quénia, William Ruto, confirmou que a data para a cerimónia de lançamento da pedra fundamental da projetada refinaria de Dangote já foi definida, sinalizando a intenção de Nairobi em posicionar-se como um centro de refinação e comércio de petróleo na África Oriental, remodelando o panorama regional de abastecimento de combustíveis.

Ruto, ao assinar a Lei do Fundo Soberano de 2026 no Palácio Estatal em Nairobi, afirmou que os preparativos do projeto estão numa fase avançada e instruiu o vice-presidente, Kithure Kindiki, a presidir a uma comissão conjunta governo-setor privado para coordenar os investimentos relacionados com a refinaria. Ruto indicou que a data para a cerimónia já está definida e que o Quénia está a tomar medidas para se tornar um país de primeira linha.

A refinaria será localizada no condado de Lamu, com uma capacidade de processamento projetada de 700 mil barris de petróleo bruto por dia. Esta dimensão torna-a a maior instalação de refinação da África Oriental e o maior projeto de investimento a jusante em África fora da Nigéria. A sua capacidade excederá a soma de todas as refinarias existentes na África Oriental, podendo alterar fundamentalmente o padrão atual da região, que depende de importações de produtos petrolíferos do Médio Oriente, Índia e Europa.

O arranque do projeto ocorre num momento de rápida expansão da procura de combustíveis na África Oriental, impulsionada pelo crescimento populacional, urbanização e industrialização. Embora o Quénia, o Uganda e outros países produtores vizinhos tenham descoberto mais recursos petrolíferos, os países da região ainda dependem fortemente de produtos refinados importados. Analistas acreditam que esta refinaria pode transformar o Quénia num centro regional de exportação de combustíveis, servindo mercados no Uganda, Ruanda, Burundi, Sudão do Sul, leste da República Democrática do Congo e partes do Corno de África. Espera-se que este investimento intensifique a concorrência com os centros tradicionais de abastecimento de combustíveis do Golfo, desviando os fluxos comerciais regionais de importações de longa distância para a refinação e distribuição intra-africanas.

Para o Quénia, a refinaria pode aproveitar a infraestrutura portuária existente e os investimentos planeados em pipelines para dominar a cadeia de abastecimento de petróleo em toda a região, consolidando a sua posição como porta de entrada logística para a África Oriental. Para a Nigéria, este investimento marca a próxima fase da expansão da refinação em África, após a entrada em operação da refinaria de Dangote em Lagos, com capacidade de 650 mil barris por dia. A refinaria de Lagos já começou a alterar o panorama do comércio de combustíveis na África Ocidental. Esta medida também está alinhada com a estratégia de Aliko Dangote de construir uma rede integrada de refinação africana, visando reduzir a dependência de longa data do continente em relação a combustíveis importados.

Segundo a Reuters, a refinaria deverá demorar cerca de três anos a ser construída e fornecerá gasolina, gasóleo, combustível de aviação e outros produtos refinados ao Quénia e países vizinhos. O projeto será financiado através de uma combinação de fundos internos, emissão de obrigações e receitas da planeada oferta pública inicial. De acordo com Edwin Devakumar, a seleção do local já foi concluída, e os estudos de solo e de engenharia estão em curso. Devakumar afirmou que a localização já foi escolhida, os testes de solo estão a decorrer, e o trabalho de design e engenharia já começou, sendo o Quénia a primeira escolha desde o início.

A refinaria será construída na ilha de Lamu, que oferece acesso direto a rotas marítimas internacionais e complementa a estratégia de longo prazo do Quénia de desenvolver o Corredor de Transporte Lamu-Sudão do Sul-Etiópia como porta de entrada regional para o comércio e energia. A decisão de construir a fábrica no Quénia foi tomada após uma avaliação inicial de Tanga, com a disponibilidade de infraestrutura, eficiência logística e acesso ao mercado a inclinarem a balança a favor de Nairobi.

O anúncio de Ruto ocorre num momento em que o Quénia promulgou a Lei do Fundo Soberano de 2026. Esta lei visa garantir que as receitas da futura produção de petróleo e minerais sejam utilizadas para o desenvolvimento de infraestruturas, estabilidade macroeconómica e poupança de longo prazo. A lei cria um Fundo de Estabilização, um Fundo de Investimento em Infraestruturas Estratégicas e um Fundo para as Gerações Futuras, destinando 30% das receitas do petróleo e minerais às gerações futuras. Para o mercado energético, o significado mais imediato é o surgimento de uma segunda mega-refinaria africana capaz de alterar os preços regionais dos combustíveis, as rotas comerciais e os padrões de importação.

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