De acordo com pt.wedoany.com-O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) do Brasil prevê que, entre 2027 e 2030, a capacidade anual de corte de geração de usinas eólicas e solares pode chegar a 40 GW, refletindo o crescente excedente de energia renovável em determinados períodos e as limitações operacionais do Sistema Interligado Nacional (SIN). Esta avaliação consta do documento "Plano de Operação Elétrica de Médio Prazo (PAR/PEL) 2025 – Sumário Executivo do Ciclo 2026-2030", divulgado pelo operador.

De acordo com o documento, os cortes de geração continuam concentrados principalmente nos períodos de pico da geração fotovoltaica. Nesses horários, a alta geração solar, a baixa demanda de eletricidade e as restrições de transmissão levam à necessidade de limitar parte da geração para garantir a segurança e a confiabilidade da operação do sistema elétrico. O nível de corte noturno é significativamente menor, indicando que o desafio está diretamente relacionado às características horárias da geração solar.
O estudo mostra que, mesmo considerando o crescimento da carga nos próximos anos, o problema persistirá ao longo de todo o período de planejamento. Em uma análise de sensibilidade, o ONS avaliou a adição de 4 GW de carga extra ao sistema e concluiu que essa medida reduziria os cortes em menos de 800 MW (valor médio), um resultado considerado insuficiente diante da magnitude do excedente previsto.
Para o operador, a mitigação dos cortes dependerá de um conjunto de medidas estruturais, incluindo a expansão de linhas de transmissão, a implantação de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), programas de resposta à demanda, aumento da flexibilidade operacional e a atração de novos consumidores capazes de absorver parte do excedente de geração durante o dia.
O documento também destaca que essas iniciativas, por si só, não eliminam o problema. Segundo o ONS, é necessário coordenar a expansão da geração renovável variável com o crescimento da carga, especialmente durante o período diurno. Se a expansão da geração solar centralizada e da micro e minigeração distribuída (MMGD) continuar a superar o crescimento do consumo, o sistema poderá enfrentar um excedente estrutural crescente, ampliando a necessidade de restrições operacionais.
O documento defende um planejamento integrado de geração, transmissão e consumo, apontando que o desafio não está apenas em expandir a oferta de energia renovável, mas em garantir que essa energia possa ser efetivamente utilizada pelo sistema.
O plano PAR/PEL prevê investimentos em infraestrutura elétrica para ampliar a capacidade de escoamento da geração renovável. O plano estima a construção de aproximadamente 5.301 km de novas linhas de transmissão e 24.314 MVA em transformadores durante o período de planejamento, com investimentos estimados em cerca de 28,1 bilhões de reais.
Entre os projetos prioritários, destaca-se o aumento da capacidade de intercâmbio entre as regiões Norte/Nordeste e Sudeste/Centro-Oeste, que deverá passar de 18,5 GW em janeiro de 2026 para 23 GW em 2030, ampliando a capacidade de transporte da energia renovável, majoritariamente gerada no Nordeste, para os principais centros de carga do país.
O ONS estima que a carga máxima do Sistema Interligado Nacional (SIN) atinja cerca de 129 GW até 2030, um aumento de aproximadamente 17% em relação ao pico de 2025. No mesmo período, a capacidade instalada deverá atingir 269 GW, impulsionada pela contínua expansão das fontes renováveis.
A capacidade instalada de usinas eólicas e solares centralizadas chegará a quase 60 GW ao final do período de planejamento. Considerando todos os projetos com Contratos de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) assinados, essa capacidade pode atingir cerca de 77 GW, o que reforça ainda mais a necessidade de uma operação mais flexível.
O aumento da participação de fontes renováveis exige novas ferramentas operacionais para manter a confiabilidade do SIN, incluindo recursos capazes de fornecer flexibilidade, reserva operacional e suporte à estabilidade elétrica.
O relatório também destaca o papel da micro e minigeração distribuída (MMGD) na alteração do perfil de carga do sistema. Segundo o ONS, essa modalidade já ultrapassou 43 GW de capacidade instalada, reduzindo a carga observada durante o dia, aumentando a taxa de rampa de carga no final da tarde e causando fluxo reverso em algumas redes de distribuição.
Apesar dos desafios operacionais, o operador avalia que, quando combinados com mecanismos inteligentes de gestão e controle operacional, os recursos energéticos distribuídos contribuem para aumentar a flexibilidade do sistema. As iniciativas em andamento incluem a atualização do PRODIST (Procedimentos de Distribuição), a elaboração de planos de gestão do excedente de energia nas redes de distribuição e o aprimoramento da representação da MMGD nos modelos utilizados pelo ONS.






