De acordo com pt.wedoany.com-O governo dos Estados Unidos flexibilizou as restrições à exportação para os Emirados Árabes Unidos, removendo obstáculos para que o país adquira tecnologias avançadas, incluindo semicondutores, essenciais para o desenvolvimento da inteligência artificial. O Departamento de Comércio dos EUA, em um aviso divulgado na sexta-feira, afirmou que os Emirados Árabes Unidos agora se qualificam para um tratamento mais brando sob as leis de controle de exportação dos EUA, citando medidas tomadas pelo país para proteger tecnologias americanas sensíveis. A mudança de regras, publicada pelo Bureau de Indústria e Segurança do Departamento de Comércio, também mencionou o apoio dos Emirados Árabes Unidos aos EUA na guerra contra o Irã.
Esta medida significa que o governo dos Emirados Árabes Unidos e entidades comerciais aprovadas específicas, como a principal empresa de tecnologia do país, a G42, podem comprar chips de IA de ponta da Nvidia Corp. e da Advanced Micro Devices Inc. sem a necessidade de licença do governo dos EUA. As novas regras não estabelecem um limite máximo para a quantidade de chips ou outros produtos de alto valor que essas entidades podem adquirir. O embaixador dos Emirados Árabes Unidos, Yousef Al Otaiba, declarou em uma publicação na plataforma X que a decisão "afirma e impulsiona a cooperação profunda e confiável de décadas entre os Emirados Árabes Unidos e os EUA nas áreas de tecnologia, segurança, comércio e investimento".
Desde o retorno do presidente Donald Trump à Casa Branca, seu governo tem promovido a exportação de tecnologia americana, especialmente inteligência artificial. Trump fez do investimento em IA um tema central de sua visita ao Oriente Médio no ano passado, durante a qual gigantes do Vale do Silício firmaram uma série de acordos com empresas dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita. Nos últimos anos, os Emirados Árabes Unidos investiram grande parte de sua riqueza petrolífera e capital político em infraestrutura computacional, com o objetivo de se tornar um centro de IA na região e até mesmo no Sul Global. Isso ocorreu antes da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, durante a qual vários data centers no Golfo foram atacados, gerando preocupações sobre a capacidade da região de atrair investimentos estrangeiros em tecnologia.
Esta mudança de política imediatamente gerou oposição dos falcões da segurança nacional em Washington. Chris McGuire, pesquisador sênior do Council on Foreign Relations que serviu nas administrações Trump e Biden, alertou que a medida poderia permitir que a China obtivesse tecnologia americana, ao mesmo tempo que retardaria o processo de implantação de IA nos EUA. McGuire escreveu no X que isso traria enormes riscos à segurança nacional, pois os Emirados Árabes Unidos poderiam se tornar um dos centros de computação de IA mais importantes do mundo, além de servir como um "backdoor" para a China e agravar a escassez de oferta de chips de IA nos EUA.
O cerne das preocupações de segurança nacional reside na possibilidade de a China obter processadores de IA enviados aos Emirados Árabes Unidos, seja por meio da transferência física dos chips ou do uso de suas capacidades através de serviços em nuvem. Os linha-dura contra a China têm mirado especialmente a G42, que tem laços históricos com a Huawei Technologies Co., mas recentemente tenta se distanciar dessa gigante tecnológica chinesa. Com esta medida, os EUA reclassificaram os Emirados Árabes Unidos em uma categoria diferente de países, permitindo-lhes adquirir produtos de alta tecnologia dos EUA com menos requisitos de licenciamento. A mudança de regras também flexibilizou as restrições à venda de satélites comerciais e naves espaciais, equipamentos militares e produtos para geração de energia nuclear civil.
Esta decisão abre caminho para uma expansão significativa da cooperação em desenvolvimento de IA entre os EUA e os Emirados Árabes Unidos. Por exemplo, a G42 está colaborando com a OpenAI e a Oracle Corp. para construir um cluster de data center de 5 gigawatts em Abu Dhabi, e busca adquirir chips de IA da Nvidia, AMD e Cerebras Systems Inc. Anteriormente, esses projetos conjuntos foram atrasados devido a restrições de licenciamento dos EUA. No final do ano passado, o Departamento de Comércio aprovou a venda de dezenas de milhares de chips de IA avançados para a G42, e as novas regras permitirão que a G42 faça aquisições semelhantes no futuro sem a necessidade de licenças.
Andrew Feldman, CEO da Cerebras, elogiou a decisão do governo de flexibilizar as restrições, afirmando que os Emirados Árabes Unidos sempre foram um aliado excepcional dos EUA e que garantir que países que apoiam os valores americanos permaneçam no ecossistema tecnológico dos EUA é uma boa política. Outras empresas dos Emirados Árabes Unidos autorizadas a comprar chips de IA sem licença incluem a divisão Core42 da G42. O fundo MGX de Abu Dhabi, apoiado pela G42, já recebeu tratamento preferencial separadamente. A mudança de regras também permite que oito empresas sediadas nos EUA e suas subsidiárias nos Emirados Árabes Unidos comprem processadores de IA sem licença: Amazon.com Inc., Google (da Alphabet Inc.), Apple Inc., Meta Platforms Inc., Microsoft Corp., OpenAI, Oracle Corp. e xAI (da SpaceX).
O aviso, assinado por Jeffrey Kessler, diretor do Bureau de Indústria e Segurança, citou os crescentes laços comerciais entre os EUA e os Emirados Árabes Unidos, destacando que o investimento estrangeiro direto dos Emirados Árabes Unidos em áreas como IA, metais, aviação e energia é estimado em mais de US$ 1 trilhão. Enquanto os funcionários do Departamento de Comércio divulgavam essas mudanças, legisladores dos EUA analisam uma série de projetos de lei que visam endurecer os controles de exportação sobre a venda de chips de IA e tecnologia de fabricação de semicondutores, medidas que enfrentam forte oposição da Casa Branca e da indústria de chips. A senadora democrata dos EUA, Elizabeth Warren, pediu que Kessler e o secretário de Comércio, Howard Lutnick, comparecessem ao Comitê Bancário do Senado para explicar esta decisão. Kessler planeja testemunhar em uma audiência do Comitê de Relações Exteriores da Câmara sobre o programa de controle de exportações dos EUA.






