De acordo com pt.wedoany.com-A operadora de telecomunicações senegalesa Sonatel anunciou em 9 de julho a implantação de 16 novas antenas de satélite na estação terrena de Gandoul, que fazem parte do gateway da Eutelsat OneWeb, visando atender ao crescimento da demanda por conectividade e ao aumento da concorrência no mercado de internet via satélite, fortalecendo a infraestrutura satelital do país.

A estação terrena de Gandoul, com cerca de cinco hectares, já abriga diversas soluções de conectividade via satélite e é responsável por conectar a constelação de satélites de órbita baixa da Eutelsat OneWeb às redes terrestres, transmitindo assim internet de alta velocidade para o Senegal, a sub-região e outras partes do mundo. Segundo o grupo Sonatel, a instalação conta com infraestrutura energética segura, sistemas redundantes e conexão de fibra óptica ultrarrápida para garantir alto nível de disponibilidade e continuidade dos serviços. A nova infraestrutura também se apoia em salas técnicas que atendem ao padrão Tier III, oferecendo alta resiliência e confiabilidade para a operação de equipamentos críticos.
Poucos meses após o lançamento do serviço de internet via satélite geoestacionário desenvolvido em parceria com a Eutelsat Konnect, a Sonatel implantou a infraestrutura OneWeb baseada em constelação de órbita baixa. A operadora afirma que seu objetivo prioritário continua sendo as áreas rurais, fronteiriças ou remotas, onde a lacuna de acesso à internet ainda é significativa: apenas 3% das famílias rurais têm conexão, contra quase 44% na capital, Dacar. Este investimento também está alinhado com a estratégia de transformação digital do governo senegalês, que aposta na tecnologia satelital para acelerar a cobertura nacional de internet de alta velocidade, especialmente em regiões onde a implantação de redes terrestres é cara ou de topografia complexa. Outras operadoras do mercado, como Yas e Expresso, também são incentivadas a incluir soluções via satélite em seus serviços.
O mercado de internet via satélite do Senegal já atrai concorrentes internacionais. O fornecedor americano Starlink lançou serviços comerciais no país em fevereiro de 2026. A empresa é um dos principais provedores globais de internet via satélite de órbita baixa, com operações em cerca de 30 países africanos. Outra empresa americana, a Amazon Leo (antigo Projeto Kuiper), também planeja lançar seus primeiros serviços comerciais ainda este ano, após ultrapassar o limite regulatório de 390 satélites implantados em órbita e negociar com mercados africanos como África do Sul, Quênia e Nigéria; no país mais populoso da África, a Nigéria, a Amazon Leo já obteve as autorizações necessárias para implantar infraestrutura e comercializar serviços. O aumento da concorrência ocorre em meio a uma demanda crescente por conectividade de alta velocidade, impulsionada pela popularização de serviços como streaming de vídeo, jogos online, teletrabalho, videoconferências, serviços em nuvem, inteligência artificial e Internet das Coisas.
O custo é um dos fatores-chave da concorrência no mercado. A assinatura mensal de internet via satélite residencial oferecida pela Sonatel custa 30.000 francos CFA (cerca de 52,36 dólares), enquanto para empresas é de 44.900 francos CFA, e os serviços profissionais exigem ainda uma taxa de acesso de 125.000 francos CFA. Em comparação, os pacotes da Starlink no Senegal variam de 22.000 a 30.000 francos CFA por mês, e o custo do kit de instalação fica entre 117.000 e 146.000 francos CFA. De acordo com dados do Banco Mundial, no Senegal, um serviço de internet de 50 dólares mensais representa cerca de 33,7% da renda média mensal do país em 2025, de 148,33 dólares, muito acima do limite de 2% de acessibilidade recomendado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT). Em 2025, o custo de 5 GB de dados em conexão fixa representava 15,1% da Renda Nacional Bruta (RNB) per capita do Senegal, enquanto na internet móvel era de 4,68%. Além do custo do serviço, a qualidade da conexão, a cobertura geográfica, a disponibilidade de equipamentos e a capacidade de atender às necessidades específicas de famílias, empresas e governos também serão fatores decisivos na competição entre os provedores de internet via satélite.






