De acordo com pt.wedoany.com-A startup de agrotecnologia InLida, fundada em 2019 em Piracicaba, São Paulo, lançou este ano a segunda geração de sua plataforma de gestão de rebanhos. Segundo dados oficiais da empresa, a plataforma conta atualmente com mais de 30 mil fazendas cadastradas, registra digitalmente 90 mil inseminações artificiais, monitora 300 mil animais e, desde sua fundação, já recebeu mais de R$ 1 milhão em investimentos.
A criação da empresa surgiu de um problema real identificado pela fundadora Gabriela Ribeiro enquanto atuava como pesquisadora no Cepea/Esalq. Na época, ao visitar fazendas para coletar informações sobre custos de produção, ela percebeu que a maioria dos pecuaristas ainda geria seus negócios com cadernos de bolso, planilhas eletrônicas dispersas e pilhas de notas fiscais. Ela afirma que a dificuldade dos agricultores em organizar informações básicas era o principal obstáculo para calcular os custos de produção. Inicialmente, após deixar o Cepea, Ribeiro atuou como consultora para agricultores e, em seguida, decidiu, junto com o marido e sócio Marco Milan, criar seu próprio sistema para lidar com essa gestão analógica. Eles buscaram soluções existentes, de baixo custo e voltadas para pequenos agricultores, mas não encontraram produtos que atendessem aos requisitos. Assim, começaram a desenvolver um protótipo com software de código aberto e, posteriormente, colaboraram com programadores para construir sua própria plataforma.
O projeto começou na incubadora EsalqTec e ganhou impulso alguns meses antes da pandemia de Covid-19, quando recebeu o primeiro investimento-anjo do fazendeiro e pecuarista Bernhard Kiep, que também utiliza a plataforma em sua própria fazenda. A primeira versão da plataforma foi lançada gratuitamente, com um modelo de negócios em que empresas do setor patrocinavam o acesso dos agricultores às ferramentas, ajudando a startup a escalar sem cobrar dos usuários. A Tortuga e a Corteva foram duas empresas que estabeleceram essa parceria. Essa estratégia permitiu que a InLida alcançasse 30 mil usuários cadastrados em todo o país, mas a pandemia e a retração do mercado pecuário enfraqueceram o ímpeto. A empresa então decidiu reconstruir a plataforma e migrar para um modelo de assinatura mensal (SaaS), mantendo o compromisso de oferecer ferramentas acessíveis para pequenos e médios pecuaristas. Segundo a CEO, agricultores com menos de 50 cabeças de gado pagam cerca de R$ 30 por mês.
A reformulação da plataforma atraiu um novo investidor, Marcos Ermírio de Moraes — pecuarista e membro de uma tradicional família industrial, que se tornou acionista da empresa após usar a primeira versão da plataforma em sua fazenda no Mato Grosso do Sul. Ribeiro afirma que ele e Kiep participam ativamente do desenvolvimento das ferramentas, levando à equipe as necessidades observadas no dia a dia das fazendas. A interface da plataforma foi projetada em um formato semelhante a um caderno de bolso, para facilitar o registro de informações pelos funcionários da fazenda. Nos materiais do site da empresa, a plataforma se autodenomina "seu caderno de campo digital".
A versão 2.0 da plataforma, lançada este ano, trouxe melhorias de desempenho e novos recursos, como indicadores de reprodução, previsão de partos, histórico de vacas e ferramentas de análise de manejo animal. Segundo estimativas de Ribeiro, cerca de 10% dos mais de 30 mil cadastros estão usando a nova plataforma, e a prioridade atual da empresa é acelerar a migração dos usuários da versão anterior para o novo sistema e expandir a base de assinantes. O aplicativo permite que agricultores ou funcionários registrem informações no campo mesmo sem conexão com a internet, com sincronização posterior dos dados; na versão web, esses registros são convertidos em indicadores de gestão, como taxas de concepção, natalidade e desmame, além de relatórios que auxiliam na tomada de decisões.
Apesar da crescente oferta de softwares para pecuária, Ribeiro acredita que as empresas de tecnologia ainda atendem de forma insuficiente o segmento de pequenos e médios produtores focados em reprodução. Diferentemente de plataformas como a JetBov, que atendem principalmente grandes fazendas (geralmente com centenas ou milhares de animais), a InLida posiciona seu produto para propriedades menores. Segundo ela, os agricultores atendidos pela plataforma têm, em média, cerca de 100 cabeças de gado, e entre os clientes há desde criadores com apenas 4 animais até grandes produtores com 8 mil cabeças, mas o foco da empresa continua sendo os pequenos e médios produtores.






