De acordo com pt.wedoany.com-A provedora de serviços em nuvem ucraniana GigaCloud e a empresa italiana de armazenamento geograficamente distribuído Cubbit formaram uma aliança para criar uma infraestrutura de armazenamento distribuído compatível com S3 para empresas e instituições na Ucrânia e Polônia. Os dados da plataforma serão distribuídos entre cinco data centers localizados em Kiev, Lviv e Varsóvia, permitindo que as organizações decidam onde armazenar os dados, garantindo ao mesmo tempo a disponibilidade das informações em caso de interrupção de um ou mais sites.

Esta parceria reflete uma mudança na percepção do mercado europeu sobre a soberania digital. Em cenários de guerra, a localização física dos dados torna-se um fator determinante para a continuidade dos negócios. A soberania digital não significa mais apenas que as informações estão dentro de fronteiras específicas, mas também inclui o controle sobre chaves, autonomia tecnológica, portabilidade e a capacidade de lidar com falhas em larga escala, especialmente com arquiteturas projetadas para manter serviços essenciais em funcionamento mesmo quando instalações físicas se tornam repentinamente inacessíveis.
O conflito na Ucrânia abalou as estratégias tradicionais de proteção que consideravam os data centers como locais estáveis. Ataques com mísseis, cortes de energia, interrupções de comunicação e danos à infraestrutura crítica mostraram que nenhum site oferece segurança absoluta. O modelo escolhido pela GigaCloud e Cubbit atende exatamente a essa necessidade: os dados são criptografados, fragmentados e distribuídos entre diferentes nós, sem que nenhum site individual armazene informações completas. Quando um site fica indisponível, o sistema reconstrói o conteúdo a partir dos fragmentos acessíveis restantes, reduzindo a dependência de um único local físico e transformando a resiliência de um recurso adicional em uma característica estrutural da arquitetura. Este princípio se aplica a países em conflito, bem como a operadores europeus que enfrentam eventos climáticos extremos, crises energéticas ou ataques coordenados.
A GigaCloud integrará o Cubbit DS3 Composer em seus cinco data centers, distribuídos em três zonas de disponibilidade: Kiev e Lviv, na Ucrânia, e Varsóvia, na Polônia. Os clientes podem escolher diferentes estratégias de residência de dados, mantendo as informações apenas na Ucrânia, distribuindo-as entre os dois países ou apenas na Polônia. Essa escolha determina o quadro jurídico aplicável e o grau de exposição aos riscos locais. Cada cliente terá um ambiente de locatário isolado, com interface dedicada e endpoints de API compatíveis com S3, permitindo gerenciar espaço de armazenamento, permissões de acesso, projetos, configurações, métricas, relatórios e faturamento. O padrão S3, introduzido pela Amazon Web Services em 2006, facilita a integração com aplicativos existentes e reduz o risco de dependência tecnológica.
Nos debates europeus, a nuvem soberana é frequentemente associada à localização de dados, mas manter as informações dentro das fronteiras nacionais não garante automaticamente um controle efetivo. As empresas podem usar infraestrutura local, mas ainda depender de software proprietário ou tecnologias difíceis de substituir. Esta parceria visa combinar autonomia operacional com residência geográfica, onde os clientes definem onde os dados são armazenados e mantêm o controle sobre as configurações por meio de ambientes independentes. A tecnologia de fragmentação impede que uma única infraestrutura acesse o conteúdo completo, criando um modelo mais próximo da autonomia operacional. Essa evolução envolve particularmente administrações públicas, defesa, finanças e operadores de infraestrutura crítica, onde a soberania se torna uma condição necessária para garantir a disponibilidade de serviços essenciais e cumprir obrigações regulatórias, sendo o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR) ainda a referência central.
O acordo também demonstra uma mudança na abordagem de recuperação de desastres. Sistemas geograficamente distribuídos incorporam a tolerância a falhas no gerenciamento diário de armazenamento, com as informações sendo distribuídas desde o início, permitindo a reconstrução mesmo que alguns componentes não respondam. Os casos de uso listados incluem backups imutáveis, recuperação de desastres, arquivamento de longo prazo e gerenciamento de dados não estruturados. Backups imutáveis são particularmente importantes contra ransomware, impedindo a modificação ou exclusão de cópias durante um ataque. A distribuição geográfica protege contra interrupções físicas, e a combinação de ambos aborda diferentes ameaças. A infraestrutura distribuída permite projetar objetivos de tempo de recuperação (RTO) e objetivos de ponto de recuperação (RPO) de forma mais consistente com base na criticidade dos serviços.
O mercado-alvo inclui clientes de médio e grande porte, com foco especial no setor público, órgãos governamentais e defesa, bem como nas áreas de serviços financeiros, mídia, varejo e TI. A GigaCloud afirma atender mais de 1.500 organizações e 20 milhões de usuários, gerenciando infraestruturas de nuvem privada, pública, híbrida e multinuvem. A Cubbit apoiará o provedor de serviços em nuvem por meio de treinamento, suporte comercial e atividades conjuntas de marketing. O acordo também inclui padrões de acordo de nível de serviço (SLA), suporte técnico e qualidade de serviço. A tecnologia da Cubbit já foi adotada por mais de 400 empresas e operadores, incluindo a Leonardo e a Rai Way.
Stefano Onofri, co-CEO e cofundador da Cubbit, afirmou que o projeto está diretamente relacionado à necessidade de proteger a infraestrutura digital ucraniana, resultando em uma infraestrutura de armazenamento geograficamente distribuído que protege dados estratégicos e os mantém sempre disponíveis. Trata-se de uma arquitetura "by design" (nativa), projetada para distribuir dados entre vários países confiáveis, de modo que, mesmo nas condições mais críticas, os dados permaneçam online e sob o controle de seus verdadeiros proprietários. Nazariy Kurochko, CEO e cofundador da GigaCloud, enfatizou que a infraestrutura de nuvem na região não pode ser projetada com base na lógica de mercados mais estáveis. As empresas aprenderam a planejar considerando a incerteza, priorizando o controle e escolhendo arquiteturas que permaneçam confiáveis mesmo quando as circunstâncias mudam. Esta parceria transforma essa experiência em um modelo de armazenamento concreto e dá um passo em direção ao fortalecimento do ecossistema europeu de nuvem.
Esta parceria pode ser interpretada como uma resposta local a uma situação excepcional, mas seu valor estratégico abrange todo o mercado europeu. O aumento das ameaças cibernéticas, as tensões geopolíticas e a concentração de serviços em alguns poucos operadores globais estão levando empresas e governos a reavaliar suas escolhas. A prioridade é construir infraestruturas interoperáveis, distribuídas e governáveis, evitando dependências que dificultem a troca de fornecedores. O padrão S3 permite conectar ferramentas e aplicativos desenvolvidos por diferentes entidades, e a distribuição de dados entre vários países confiáveis pode aumentar a resiliência sem sacrificar a conformidade. A soberania adquire assim uma dimensão europeia, e o verdadeiro desafio não é mais apenas preservar informações, mas mantê-las disponíveis, verificáveis e governáveis à medida que todo o ambiente operacional muda.










