Tribunal de Contas do Brasil supervisionará primeiro leilão de capacidade de baterias, com contratos que podem chegar a R$ 153 bilhões
2026-07-18 14:18
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De acordo com pt.wedoany.com-O Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou a supervisão do primeiro leilão de reserva de capacidade de baterias na forma de potência (LRCAP) no Brasil, que será realizada durante a estruturação do certame e poderá avaliar decisões com impacto financeiro de até R$ 153 bilhões em 15 anos.

Canal Solar - TCU supervisionará primeiro leilão de reserva de capacidade de baterias na forma de potência e alerta para contratos bilionários

De acordo com o Acórdão nº 1.891/2026, a autorização foi aprovada por unanimidade pelo plenário do TCU, e a supervisão ficará a cargo da Secretaria Especializada de Auditoria de Energia e Nuclear (AudElétrica), com o objetivo de verificar se o desenho regulatório e os critérios técnicos, econômicos e operacionais garantem a contratação eficiente da capacidade de armazenamento necessária ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Por ser o primeiro leilão no Brasil voltado exclusivamente para contratos de baterias, o tribunal entende que as regras adotadas podem estabelecer precedentes para futuros certames e para o desenvolvimento desse mercado no país. De acordo com estimativas da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE), o mercado prevê a contratação de 2 GW a 6 GW de capacidade instalada; a receita fixa anual estimada é de R$ 1,2 milhão a R$ 1,7 milhão por MW. Caso sejam contratados 6 GW, a remuneração anual pode variar entre R$ 7,2 bilhões e R$ 10,2 bilhões. Em um período de 15 anos de contrato, o valor acumulado pode chegar a R$ 108 bilhões a R$ 153 bilhões, custos que serão cobertos pelo Encargo de Reserva de Capacidade (ERCAP), pago pelos consumidores de energia elétrica.

O TCU também citou o Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), que projeta cerca de 6,6 GW de sistemas de armazenamento de energia no país até o final de 2035. A supervisão deve se concentrar em aspectos considerados cruciais para a viabilidade do leilão, incluindo a metodologia de definição do preço-teto, a remuneração dos projetos, os critérios de elegibilidade e o mecanismo de competição do certame. O tribunal também acompanhará como os custos do ERCAP serão alocados entre os agentes do setor elétrico, com foco na definição das regras de operação do sistema e de disponibilidade.

A degradação das baterias ao longo do período contratual é considerada um dos principais riscos técnicos, e o desenho do leilão precisa determinar como lidar com a perda gradual de capacidade dos equipamentos e as obrigações dos contratados durante os 15 anos de contrato. Além disso, os padrões de conexão à rede e a alocação de riscos contratuais também serão avaliados. Segundo o TCU, qualquer inconsistência pode levar a litígios, atrasos na implantação dos projetos e aumento dos custos arcados pelos consumidores.

A supervisão ocorrerá simultaneamente à definição das regras, com o objetivo de identificar potenciais problemas antes da finalização das principais decisões regulatórias e operacionais. O próprio Ministério de Minas e Energia (MME) reconheceu a importância dessa supervisão prévia e já disponibilizou equipes técnicas para apresentar as diretrizes de contratação com antecedência. A supervisão envolve diversas instituições, como MME, Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O relator do caso, ministro Jorge Oliveira, considera que a coordenação entre essas instituições é necessária para integrar as regras regulatórias, operacionais e de financiamento.

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