De acordo com pt.wedoany.com-A União Internacional de Telecomunicações (UIT) e a Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) publicaram recentemente regras e relatórios sobre a infraestrutura de cabos submarinos de fibra óptica, sob as perspectivas de resiliência de implantação e revisão de segurança. Ambas as entidades consideram os cabos submarinos como infraestruturas estratégicas que sustentam a computação em nuvem, serviços de IA e conectividade global, e não meros ativos de telecomunicações. O consenso entre as operadoras de telecomunicações sobre soberania de rede e infraestruturas críticas já se concretizou: a infraestrutura de telecomunicações é uma infraestrutura crítica e deve ser mais resiliente. Os anúncios da UIT e da FCC abordam detalhes específicos sobre resiliência e segurança submarina, mas com enfoques diferentes — a UIT concentra-se na forma como os cabos são implantados e mantidos, enquanto a FCC foca em quem possui e opera os cabos e quem pode ser confiável para participar dos sistemas relacionados.

O mais recente relatório da UIT sobre resiliência de cabos submarinos aponta que a coordenação de licenciamento e regulamentação é o principal obstáculo para acelerar a implantação e reparação de cabos, apelando a uma maior cooperação entre governos e operadoras de telecomunicações. O relatório, publicado pelo Órgão Consultivo Internacional sobre Resiliência de Cabos Submarinos (IAB), criado conjuntamente pela UIT e pelo Comité Internacional de Proteção de Cabos (ICPC) em 2024, resume os riscos de interrupções físicas causadas por desastres naturais e acidentes humanos, e destaca que ameaças cibernéticas e atos de adulteração estão a aumentar. O relatório enfatiza particularmente que, em pequenos países insulares e regiões mal servidas, onde a infraestrutura é altamente concentrada, a lenta burocracia na cooperação internacional agrava os riscos, o que envolve uma clara agenda de exclusão digital. O documento lista todos os gargalos na implantação e manutenção de rotas, indicando que cabos transoceânicos geralmente levam 30 meses para serem implantados, sendo o processo de licenciamento "a fase mais longa e crítica", frequentemente atrasada por "políticas restritivas, medidas protecionistas, requisitos jurisdicionais fragmentados e atrasos na coordenação interinstitucional". O relatório recomenda que os governos reforcem a monitorização e aumentem a diversidade de rotas. A Secretária-Geral da UIT, Doreen Bogdan-Martin, classificou o relatório como "um roteiro prático para manter a fiabilidade das redes submarinas". A copresidente do IAB, Sandra Maximiano, afirmou que, quando diferentes partes interessadas se unem com um objetivo comum, os desafios globais podem ser transformados, e a missão é converter a cooperação numa resiliência duradoura para a infraestrutura que conecta o mundo.
Entretanto, a FCC reformulou o quadro de licenciamento de cabos submarinos, introduzindo uma regulamentação mais rigorosa sobre a infraestrutura e as empresas envolvidas nos sistemas de cabos que conectam os EUA. Uma das mudanças mais significativas diz respeito à regulamentação dos Equipamentos Terminais de Linha Submarina (SLTE). Este equipamento, localizado nas estações de aterragem de cabos, é responsável por converter sinais ópticos em tráfego de dados que pode ser transmitido através de redes terrestres. O presidente da FCC, Brendan Carr, afirmou que este "pode ser a parte mais vulnerável do sistema de cabos". Anteriormente, os operadores de SLTE não estavam sujeitos aos mesmos requisitos de licenciamento que os proprietários de cabos, mas a FCC considera agora que estes sistemas são uma parte crucial da cadeia e devem estar sob supervisão regulatória direta. A FCC também reforçou a revisão de segurança nacional para projetos de cabos submarinos, submetendo a estruturas de propriedade, cadeias de abastecimento e controlo operacional a uma análise mais rigorosa. Estas mudanças dão continuidade à tendência política dos EUA de restringir a participação de entidades consideradas ligadas a adversários estrangeiros (especialmente a China) em infraestruturas críticas de comunicação. A FCC também procura simplificar o processo de aprovação para operadores que cumpram os seus padrões de segurança, estabelecendo um caminho confiável para investimentos futuros, do qual beneficiarão grandes construtores de infraestruturas submarinas, como a Meta, empresa-mãe do Facebook, e a Alphabet, empresa-mãe do Google. Carr afirmou que os fornecedores dos EUA estão na vanguarda mundial no setor de cabos submarinos, e que acelerar a construção significa poder oferecer serviços de Internet mais rápidos e resilientes, numa altura em que a IA impulsiona uma maior procura por conectividade. "Isto também permitirá que as nossas empresas vendam mais serviços no estrangeiro", acrescentou. Ele acrescentou que os cabos submarinos enfrentam ameaças maiores do que nunca — agentes mal-intencionados tentam aceder a dados e comunicações sensíveis transmitidos através dos cabos, e a ameaça de interrupções cibernéticas ou físicas só aumentará. As novas regras pressupõem a isenção de pedidos de cabos de uma revisão ampla e demorada, desde que o requerente demonstre cumprir rigorosos padrões de segurança e concorde com uma supervisão e monitorização contínuas. Carr disse que a mensagem é simples: adotar padrões robustos de segurança nacional garante uma via rápida para a aprovação do pedido. A indústria global de cabos submarinos continua a construir mais cabos e mais rotas em busca de capacidade e diversidade, enquanto o tráfego global de dados cresce exponencialmente para servir a "economia da IA" — a construção, interconexão e distribuição de dados em grandes fábricas de IA hiperescala são fatores impulsionadores importantes. A perspetiva geopolítica também se destaca, com governos preocupados com a propriedade, operação e proteção dos cabos de fibra ótica que conectam tudo, que estão a ser alvo de controvérsias e interferências. A FCC considera que os cabos submarinos transportam até 99% do tráfego global da Internet, e que as empresas dos EUA dominam a instalação, posse, operação e fornecimento de equipamentos para estes cabos.










