De acordo com pt.wedoany.com-A Federação Japonesa de Cooperativas Agrícolas Zen-Noh anunciou, em 24 de julho, a aquisição de 30% do Grupo Cereal, do Brasil. Com esta parceria, ambas as partes esperam encurtar a distância entre os produtos agrícolas brasileiros e o mercado asiático, além de apoiar os planos de expansão da empresa sediada em Goiás.

Com sede em Rio Verde, Goiás, o Grupo Cereal atua na compra de grãos, venda de insumos agrícolas, processamento de soja e produção de biodiesel, empregando cerca de 1.000 pessoas. A família Barauna, que lidera o grupo desde sua fundação em 1981, manterá 70% das ações, preservando o controle acionário majoritário, a gestão da empresa e a orientação estratégica. O fundador, Evaristo Lira Barauna, assumirá a presidência do conselho de administração do grupo.
A Zen-Noh é subsidiária da empresa americana Zen-Noh Grain Corporation (ZGC), que por sua vez pertence à Federação Japonesa de Cooperativas Agrícolas Zen-Noh, a qual reúne 945 cooperativas agrícolas no Japão e opera em 10 países/regiões. No ano fiscal de 2024 (abril de 2024 a março de 2025), a receita da Zen-Noh foi de 4,8 trilhões de ienes (cerca de US$ 30 bilhões, pela taxa de câmbio atual). A empresa japonesa opera no Brasil desde meados da década de 2010, estabelecendo em 2013 uma parceria de fornecimento de grãos com a Coamo, a maior cooperativa agrícola do Brasil, abrindo um escritório em São Paulo em 2015 e formando em 2017 a joint venture ALZ Grãos com a Amaggi e a Louis Dreyfus Company (LDC), focada na compra e exportação de soja e milho.
No último ano fiscal (2025), a receita do Grupo Cereal foi de R$ 5,2 bilhões, um aumento de 23,8% em relação aos R$ 4,2 bilhões de 2024; no mesmo período, o lucro líquido atingiu R$ 292 milhões, um crescimento de 104%. Entre 2020 e 2025, a empresa investiu cerca de R$ 800 milhões na expansão da capacidade industrial, construção de armazéns e aumento da capacidade de produção de biodiesel. Somente em 2025, foram investidos R$ 160 milhões para expandir unidades de armazenamento existentes e adquirir novas, aumentando a capacidade de armazenamento anual em 150 mil toneladas. Neste ano (2026), a administração da empresa prevê investir mais R$ 100 milhões para expandir a capacidade estática em pelo menos 50 mil toneladas e iniciar o projeto de expansão da capacidade da fábrica de biodiesel, aumentando a produção diária de 650 mil litros para 1 milhão de litros a partir de 2027. Atualmente, a Cereal recebe cerca de 2 milhões de toneladas de soja e milho por ano, possui capacidade de armazenamento estático de 700 mil toneladas em 14 unidades e processa 3.000 toneladas de soja por dia em uma unidade de processamento de grãos.
Ricardo Capone, presidente da Zen-Noh Brasil, afirmou que a Zen-Noh avalia continuamente oportunidades de investimento alinhadas com sua estratégia global de longo prazo, e que o Grupo Cereal possui atributos que a empresa considera essenciais: uma trajetória sólida de mais de 40 anos, excelente reputação, profundo conhecimento da agricultura brasileira e um bom relacionamento com os agricultores. As duas empresas afirmam que a aquisição de 30% das ações preserva a gestão local e o controle familiar, ao mesmo tempo que permite combinar a experiência internacional e a capacidade de investimento da Zen-Noh com o conhecimento regional e a influência do Grupo Cereal. O valor da transação não foi divulgado, e a conclusão ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores.
O objetivo central da parceria é fortalecer a capacidade de investimento do Grupo Cereal na expansão de infraestrutura, como armazenagem e recebimento de grãos, expansão geográfica e ampliação de oportunidades comerciais. Ambas as partes esperam que o acordo também amplie gradualmente o acesso da produção brasileira de grãos ao mercado internacional, especialmente o asiático. O Grupo Cereal foi assessorado pelo Rabobank e pela Alianzo, enquanto a Zen-Noh contou com a consultoria da Deloitte, Santos Neto Advogados e SL Process.










