De acordo com pt.wedoany.com-A indústria brasileira de transformação de plásticos está sob dupla pressão simultânea de tarifas de exportação e aumento de custos de matérias-primas, com risco de enfraquecimento de sua competitividade. Os Estados Unidos impuseram tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, comprimindo o espaço de exportação dos produtos brasileiros nos principais mercados consumidores globais; paralelamente, a rápida elevação dos preços das resinas plásticas aumenta os custos de produção, dificultando o planejamento das empresas, com impacto particularmente acentuado nas pequenas e médias indústrias.

Essas duas tendências ocorrem em fase de expansão do setor. No primeiro semestre deste ano, a indústria de transformação de plásticos investiu cerca de 5 bilhões de reais em modernização, sustentabilidade e expansão de capacidade; as exportações cresceram 4% no mesmo período, indicando esforço das empresas para ampliar sua participação no mercado internacional. A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) destaca que a nova tarifa dos EUA pode enfraquecer significativamente a competitividade dos produtos brasileiros. Embora as vendas brasileiras aos EUA tenham caído 13% desde o início de 2025, os EUA continuam sendo o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira.
O presidente do Conselho da Abiplast, José Ricardo Roriz, afirma que o impacto vai muito além das empresas que exportam diretamente produtos plásticos. "O setor abastece praticamente todas as cadeias produtivas da economia. Quando a competitividade cai, o efeito acaba atingindo setores como alimentos, bebidas, saúde, construção civil, agronegócio, saneamento, automotivo e bens de consumo." A entidade estima que, se a tarifa permanecer em vigor, as perdas direta e indiretamente relacionadas ao setor plástico podem ficar entre 1,5 bilhão e 2 bilhões de dólares.
Enquanto o lado das exportações enfrenta barreiras externas, o mercado interno sofre com a rápida alta dos preços das resinas. A volatilidade do preço do petróleo e as tensões geopolíticas no Oriente Médio elevaram o custo da nafta — principal matéria-prima da indústria petroquímica — com efeito em cascata sobre os preços das resinas utilizadas pela indústria de transformação. Na Mami&Co, fabricante de produtos para gestantes e bebês, alguns materiais plásticos registraram alta de cerca de 230% em apenas 40 dias. A sócia e diretora da empresa, Carol Zein, afirma que a capacidade de adaptação do setor é limitada, especialmente em áreas sujeitas a rigorosos padrões técnicos. "No setor infantojuvenil, não basta trocar a matéria-prima ou o fornecedor; os produtos precisam atender a rigorosos padrões de segurança e certificação." Produtos que utilizam resina plástica como principal matéria-prima são mais afetados, enquanto aqueles que combinam múltiplos materiais conseguem absorver parcialmente as oscilações de preço.
O impacto da alta das resinas não se limita aos fabricantes de embalagens ou artefatos plásticos. O material está presente em praticamente todas as atividades industriais, de autopeças e equipamentos médicos a embalagens de alimentos, produtos de higiene, construção civil e agronegócio. Segundo dados da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Produtos Correlatos (Adirplast), a valorização do petróleo elevou o preço da nafta para mais de 870 dólares por tonelada, com alta de quase 55% em apenas um mês. A Abiplast avalia que algumas categorias de resinas registraram aumentos de até 100% no mercado internacional. Mesmo que o cenário geopolítico se estabilize, o setor prevê que a recuperação da oferta será gradual, com pressão de custos persistindo nos próximos meses.
A Abiplast avalia que as pequenas e médias empresas têm menor capacidade de absorver essa combinação de fatores. Além da dificuldade de redirecionar rapidamente as exportações para novos mercados, essas empresas estão em desvantagem para absorver aumentos súbitos de custos de produção e negociar contratos de fornecimento em condições mais favoráveis. Substituir o mercado americano não é tarefa fácil — além da concorrência internacional (especialmente da China), outros países afetados por restrições comerciais também buscam novos compradores, tornando a disputa pelos mercados existentes ainda mais acirrada.









