ApexBrasil e outros investem R$ 2,63 milhões para impulsionar exportação de cachaça
De acordo com pt.wedoany.com-Na última sexta-feira (31), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) assinaram um novo acordo em Brasília, com investimento de R$ 2,63 milhões destinado à promoção comercial da cachaça em mercados estratégicos, visando ampliar as exportações da bebida.
O acordo foi firmado em meio a uma queda nas exportações de Minas Gerais. Segundo dados conjuntos da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG) e da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), as exportações de cachaça do estado em 2025 totalizaram US$ 1,5 milhão, uma queda de 23% em relação a 2024, mas ainda assim o estado manteve a segunda posição nacional, com 9% do total exportado pelo Brasil, atrás apenas de São Paulo.
O presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cachaça de Alambique (Anpac), Antônio Sérgio Peixoto Maciel, reconheceu as ações do governo para inserir a bebida no mercado internacional, mas avaliou que essas medidas ainda estão aquém do apoio concreto que o setor necessita, e pediu maior organização dentro da indústria. Ele afirmou que Minas Gerais ainda tem muito a fazer para se tornar um potencial polo exportador de cachaça no Brasil, sendo o investimento na cachaça de alambique o ponto-chave.

Maciel destacou que o investimento na exportação de cachaça de alambique ainda não é uma prática comum em Minas Gerais nem no restante do país. Atualmente, mais de 90% da cachaça exportada pelo Brasil é produto industrializado, e os produtos premium representam, no máximo, 5% das transações externas. Segundo o Anuário da Cachaça 2026 (ano de referência 2025), elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o preço médio dos produtos exportados em 2025 foi de US$ 2,15 por litro, uma queda de 1,4% em relação aos US$ 2,18 por litro de 2024. Maciel acredita que a exportação atual depende principalmente de produtos industrializados de qualidade inferior, e são justamente esses produtos que garantem o volume exportado pelo Brasil. Ele também afirmou que falta valorização da cachaça de alambique no país, e que o poder público precisa realizar campanhas de divulgação mais incisivas para fomentar o desenvolvimento da bebida não industrializada.

O presidente da Anpac acredita que o crescimento das exportações de cachaça de alambique pode gerar um aumento exponencial de até dez vezes na receita financeira do setor, elevando o preço médio de exportação de US$ 2 para US$ 10. Ele defende que esse objetivo seja alcançado por meio da valorização dos produtores e dos produtos, do investimento em marketing e na estrutura do setor, e do desenvolvimento do turismo de alambique, para que os compradores conheçam a origem da cachaça. Ele mencionou que, somente em Minas Gerais, a região do Vale do Piranga é a que mais cresce no número de alambiques registrados no Brasil, com mais de 170 registros.
O presidente da Associação dos Produtores de Cachaça Artesanal de Salinas (Apacs), Jean Henrique de Oliveira, está otimista quanto às perspectivas de exportação da cachaça brasileira, especialmente a mineira; mas, assim como Maciel, acredita que ainda é necessário construir o reconhecimento do produto em escala global. Ele afirmou que o governo tem interesse em ajudar os produtores, e que eles participaram de missões organizadas pela Seapa-MG e pela Sede-MG, mas o mercado externo ainda não conhece a cachaça — é preciso primeiro fazer com que os consumidores estrangeiros experimentem e conheçam o produto para que o trabalho de exportação realmente comece. Ele acrescentou que a cachaça do norte de Minas Gerais realmente tem saída para o exterior, mas em volume reduzido.
O acordo assinado faz parte da quarta fase do projeto setorial de internacionalização da cachaça. Com investimento de R$ 2,63 milhões, o projeto realizará ações de promoção comercial, organização de participação em feiras internacionais, aproximação com compradores estrangeiros e criação de oportunidades de negócios para empresas brasileiras, com expectativa de beneficiar de 70 a 80 empresas e ampliar a presença da bebida em mercados estratégicos. O presidente do Ibrac, Vicente Bastos, afirmou que o novo projeto é um passo importante para consolidar a presença da cachaça no mercado externo e elevar seu reconhecimento como produto premium internacional. Ele disse: "Este novo projeto nos permite avançar com mais força na internacionalização da cachaça, fazendo com que esse destilado, símbolo da nossa cultura, seja cada vez mais visto no mercado internacional como um produto de alto valor agregado."

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