Universidade Stanford, nos EUA, usa IA pela primeira vez para projetar genomas de vírus e sintetiza 16 bacteriófagos
2026-08-11 10:35
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De acordo com pt.wedoany.com-Pesquisadores da Universidade Stanford, com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial generativa, projetaram pela primeira vez genomas virais completos capazes de se autorreplicar em laboratório e, com base nisso, sintetizaram 16 novos vírus que infectam bactérias. Este estudo é considerado um avanço crucial da IA no campo da biologia sintética, e os resultados geraram discussões sobre questões de biossegurança.

Segundo o professor assistente da Universidade Stanford, Brian Hie, a IA generativa já havia sido usada anteriormente para projetar novos antibióticos, mas projetar do zero um genoma completo capaz de se replicar dentro de células representa um novo patamar de complexidade. Os modelos de IA usados pelos pesquisadores, Evo1 e Evo2, funcionam de forma semelhante a grandes modelos de linguagem como o ChatGPT — enquanto estes preveem sequências de texto, aqueles são treinados com códigos genéticos de vírus, bactérias, plantas e humanos, prevendo assim a linguagem da vida. Os pesquisadores configuraram o modelo para gerar um tipo de vírus que infecta apenas bactérias específicas, ou seja, bacteriófagos.

Na fase de laboratório, os cientistas selecionaram 302 dos candidatos mais promissores entre os projetos da IA e os sintetizaram um a um, dos quais 16 bacteriófagos foram confirmados como eficazes na eliminação da bactéria Escherichia coli. O estudante de doutorado Samuel King afirmou que, após confirmar o funcionamento adequado do sistema, a pesquisa em laboratório avançou rapidamente.

A terapia com bacteriófagos é vista como uma solução potencial para infecções resistentes a antibióticos. O estudo também demonstra que a IA tem potencial para projetar estruturas biológicas inexistentes na natureza, o que se enquadra no âmbito da biologia sintética. Hie acredita que o sistema tem potencial para melhorar a saúde humana por meio do desenvolvimento de novos medicamentos e terapias.

No entanto, preocupações de segurança também surgem. Thomas Inglesby e Moritz Hanke, do Centro de Segurança em Saúde da Universidade Johns Hopkins, escreveram recentemente que essas descobertas levantam questões urgentes de biossegurança. Os pesquisadores afirmam que a questão não é mais se o projeto generativo de genomas virais ocorrerá, mas sim se ele pode ser usado sem causar danos graves.

Para reduzir os riscos, a equipe de Stanford adotou uma série de medidas preventivas: vírus que poderiam infectar organismos complexos foram excluídos do banco de dados de treinamento, a pesquisa utilizou apenas bacteriófagos, e não vírus que infectam humanos, e todos os experimentos foram realizados em laboratórios de segurança. Hie acredita que as salvaguardas existentes ajudam a garantir que a tecnologia seja usada para fins benéficos.

Em termos de escala, o código genético de um bacteriófago tem cerca de 5.400 pares de bases, o menor genoma de célula viva tem cerca de 500.000 pares de bases, enquanto o genoma humano é composto por 3 bilhões de pares de bases. Hie afirmou que tentar construir organismos mais simples pode exigir muito trabalho, mas não é impossível, e a equipe de pesquisa tem interesse nessa direção.

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