IRENA: Burkina Faso e outros três países da África Ocidental precisam de 2,25 GWh de armazenamento em baterias para universalizar o acesso à eletricidade até 2030

2026-09-03 16:41
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De acordo com pt.wedoany.com-A Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) afirmou em um novo relatório que as microrredes solares fotovoltaicas desempenharão um papel fundamental na universalização do acesso à eletricidade em Burkina Faso, Mali, Nigéria e Senegal. A agência avaliou planos de fornecimento de energia por microrredes caracterizados por energia solar combinada com armazenamento nesses quatro países e apresentou uma avaliação quantificável do mercado.

O relatório, intitulado "Unlocking battery storage potential for sustainable mini-grid electrification in West Africa", afirma que, entre todos os locais adequados para a construção de microrredes, a energia solar pode atender a mais de 98% deles, a hidrelétrica a menos de 2% e a eólica a menos de 0,1%.

A IRENA estima que as microrredes solares fotovoltaicas nesses quatro países correspondem a um mercado de curto prazo de 568 MW, com um mercado mínimo endereçável de aproximadamente 42.700 assentamentos, envolvendo cerca de 21 milhões de pessoas. Por país, a Nigéria detém a maior capacidade de mercado, com quase 400 MW de capacidade fotovoltaica instalada, seguida por Burkina Faso, Mali e Senegal, com 91,7 MW, 56,3 MW e 20,3 MW, respectivamente. Como referência, até o ano passado, a capacidade total de microrredes solares fotovoltaicas construídas em toda a África era de 149 MW.

Essa avaliação construiu múltiplos cenários de fornecimento de eletricidade com base em variáveis como cenários de demanda (divididos em níveis 1 a 5 no relatório), velocidade de expansão da rede e premissas de custo das microrredes. Os resultados mostram que, no cenário de baixa demanda, os sistemas solares independentes atendem ao maior número de pessoas, podendo servir de 70 milhões a 122 milhões de pessoas; a partir do nível 3 de demanda, as microrredes tornam-se o modo dominante de fornecimento de energia, com os sistemas fotovoltaicos independentes reservados apenas para os assentamentos mais remotos e menos populosos.

Nos cenários em que a expansão da rede é limitada por dificuldades enfrentadas pelas concessionárias de energia elétrica, o papel das microrredes é particularmente destacado. A IRENA estima que, nesses cenários, as microrredes têm potencial para fornecer acesso à eletricidade a 60 milhões a 110 milhões de pessoas; outras análises mostram que aproximadamente 397.270 assentamentos nesses quatro países poderiam ser atendidos por microrredes equipadas com baterias.

Para alcançar o fornecimento universal de eletricidade no nível 2 de demanda até 2030, a IRENA estima que os quatro países precisarão de cerca de 2,25 GWh de armazenamento em baterias, sendo 1,59 GWh na Nigéria, 367 MWh em Burkina Faso, 220 MWh no Mali e 75 MWh no Senegal. Com base na tecnologia típica de fosfato de ferro e lítio disponível no mercado (2,76 kWh/51,2 V), esse total equivale a 815.217 células de bateria.

O relatório também introduz um indicador de "valor do armazenamento", definido como a diferença no custo total descontado do ciclo de vida entre um sistema híbrido solar fotovoltaico-diesel com armazenamento em bateria e um sistema equivalente sem armazenamento em bateria (cuja flexibilidade vem inteiramente de geradores a diesel). Tomando como exemplo uma comunidade típica de cerca de 500 habitantes, o valor do ciclo de vida descontado proporcionado pelo armazenamento é de aproximadamente US$ 20.000.

O relatório explica que os sistemas com baterias exigem maior investimento inicial, mas a economia no consumo de diesel é suficiente para compensar esse custo, fornecendo assim evidência empírica de que a integração de baterias pode gerar economia de custos.

A IRENA também observa que o ritmo de construção necessário para alcançar a universalização do acesso à eletricidade precisa ser muito superior ao ritmo de crescimento dos últimos anos. Com base nos resultados acima, o relatório recomenda a integração de soluções fora da rede nas estratégias nacionais de eletrificação, o fortalecimento do planejamento geoespacial da eletrificação e a mobilização de financiamento, modelos de negócios e mecanismos de mitigação de riscos. O relatório também recomenda que os quatro países criem um ambiente favorável para microrredes solares com baterias, incluindo o desenvolvimento de habilidades técnicas, a expansão de programas de certificação, o estabelecimento de padrões de segurança e a promoção de sistemas de medição aberta à medida que o mercado amadurece; além disso, devem desenvolver políticas de conteúdo local com base em suas próprias condições de recursos, organizando gradualmente a produção localmente.

A IRENA afirma que o relatório é publicado em um período de múltiplos desafios simultâneos: volatilidade dos preços do diesel, dependência contínua de combustíveis fósseis e uma crise de acesso à eletricidade que constitui simultaneamente uma emergência de desenvolvimento e uma emergência climática. O relatório destaca ainda que esses desafios são mais graves em países sem litoral, onde o transporte terrestre de combustível dos portos costeiros adiciona custos extras e riscos de fornecimento a cada quilowatt-hora de eletricidade gerada a diesel. Nesse contexto, o armazenamento em baterias pode desempenhar um papel estratégico no fortalecimento da segurança energética, na redução dos custos do sistema e na aceleração do abandono da dependência do diesel.

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