A Agência Federal de Redes da Alemanha (Bundesnetzagentur) realizou recentemente em Bonn uma reunião de especialistas para discutir, com foco principal, os ajustes nas taxas de rede para sistemas de armazenamento de energia. Antes da reunião, a agência publicou o documento "Diretrizes de Taxas de Rede para Armazenamento", marcando o início de um período crucial de ajustes nas políticas do setor de armazenamento de energia na Alemanha.
O foco da discussão concentrou-se na questão de saber se as instalações de armazenamento continuarão a gozar de isenção de taxas de rede até 2029. Representantes do setor defenderam que o arranjo atual deve ser mantido, enfatizando a importância do princípio da confiança legítima. A Agência Federal de Redes, por sua vez, argumenta que os ajustes são necessários com base em considerações de equidade na rede e sustentabilidade do sistema.
Funcionários da agência apontaram que uma decisão relevante do Tribunal de Justiça da União Europeia em 2021 e a reorganização do sistema de taxas de rede alemão em 2023 fornecem base legal para o ajuste das políticas. Eles afirmaram que essas mudanças já indicaram aos investidores que as regras de taxas de rede estão sujeitas a possíveis ajustes.
O setor de armazenamento apresentou uma visão diferente. Desenvolvedores de projetos e representantes de associações argumentam que mudanças no quadro legal não significam que a proteção cesse imediatamente. Eles ressaltam que a Agência Federal de Redes só poderá reavaliar sua posição após apresentar uma proposta formal de reforma em 2025.
Em relação à estrutura das taxas de rede para armazenamento por bateria após 2029, o assunto ainda está em discussão. Um esquema de preço fixo pode impactar os modelos de negócio, enquanto um mecanismo de precificação dinâmica poderia gerar receitas adicionais para os operadores. Um representante da agência declarou: "As receitas adicionais estão naturalmente protegidas pelo princípio correspondente." A agência tende a favorecer a criação de um sistema que inclua um mecanismo de preço mínimo, garantindo que as instalações de armazenamento contribuam para a expansão da rede.
A reunião também abordou o tema dos contratos de conexão à rede flexíveis. Esses contratos estabelecem requisitos variados para a conexão de armazenamento por bateria à rede, e atualmente faltam padrões uniformes. Representantes da agência confirmaram que o conteúdo desses contratos será considerado no cálculo das taxas, aplicando-se a tarifa integral apenas para conexões sem restrições.
Georg Gallmetzer, diretor da empresa EcoStor, enfatizou: "A clareza política é crucial para o setor de armazenamento. Sem orientações claras, pode surgir um déficit de armazenamento superior a 10 gigawatts nos próximos anos." Ele alertou que as decisões de investimento dependem de comunicação de mercado oportuna e arranjos de transição claros.
A Agência Federal de Redes garantiu aos especialistas que os ajustes de política não impedirão os investimentos em armazenamento. O objetivo da agência é estabelecer um quadro regulatório justo, garantindo que novas instalações compartilhem os custos da rede de forma adequada. Paralelamente, eles estão estudando se os ativos de armazenamento existentes estarão sujeitos às novas regras e prometeram esclarecer os mecanismos de precificação o mais rápido possível.
De acordo com o cronograma do processo AgNes, serão realizadas reuniões temáticas subsequentes sobre tarifas de feed-in e repartição de custos. A agência planeja publicar resultados intermediários no segundo trimestre, formar uma decisão preliminar em meados de 2026 e concluir a decisão final até o final do ano. As novas regras devem entrar em vigor no início de 2029, e o trabalho de comunicação com o mercado começará o mais cedo em 2028.









