Investigadores da Universidade e Centro de Investigação de Wageningen, na Holanda, desenvolveram com sucesso um novo plástico compósito com propriedades únicas. Este material, que teoricamente não deveria existir, possui características intermédias entre o vidro e o plástico: é facilmente moldável e, ao mesmo tempo, apresenta elevada resistência ao impacto. Os resultados da investigação foram publicados na revista Nature Communications.

As propriedades únicas deste novo material resultam da sua estrutura molecular especial. Ao contrário dos plásticos tradicionais, cujas longas cadeias moleculares estão ligadas por ligações químicas cruzadas, este material é composto por cadeias moleculares com cargas positivas e negativas que se unem através de atracção física. Esta ligação permite que o material, após aquecimento, possa ser amassado e moldado por sopro como o vidro, mantendo simultaneamente as propriedades de resistência ao impacto do plástico. Jasper van der Gucht, professor de Físico-Química e Matéria Mole, afirmou: "Descobrimos um material que quebra completamente as regras empíricas existentes. Ele traz uma nova perspectiva para a compreensão do comportamento dos materiais."

A primeira autora, Sophie van Lange, explicou: "Estas cadeias atraem-se mutuamente devido às cargas opostas, tal como ímanes, permanecendo juntas sem necessidade de fixação química." A equipa de investigação especula que a grande distância espacial entre as cadeias carregadas pode ser a chave para o comportamento anómalo do material, embora isto ainda necessite de mais validação. Esta descoberta tem implicações significativas para o campo da investigação em plásticos, desafiando os conhecimentos tradicionais sobre a relação entre processabilidade e fragilidade dos materiais.
A sustentabilidade é uma das direcções-chave para a investigação futura da equipa. Actualmente, o plástico compósito é produzido a partir de matérias-primas de origem fóssil, mas os investigadores planeiam desenvolver uma versão de base biológica. Esta descoberta fundamental também abre caminhos potenciais para o desenvolvimento de novos materiais mais fáceis de reparar ou mais sustentáveis. O professor van der Gucht salientou: "Começámos com um material que, segundo a teoria existente, não deveria existir, e acabámos por colocar novas questões sobre o comportamento dos materiais."
Detalhes da publicação: Autores: Sophie GM van Lange et al., Título: "Ionic glass formers exhibit an inverse relationship between fragility and non-exponential α-relaxation", Publicado em: Nature Communications (2026). Informação da revista: Nature Communications












