Em março de 2026, a ruptura de um gasoduto na região de Megantoni, Peru, provocou a escassez energética mais grave do país em duas décadas. Após o incidente, o fornecimento de gás natural caiu para cerca de 10% dos níveis normais em 72 horas, forçando o governo a utilizar reservas estratégicas de combustível e suspender exportações para priorizar a demanda doméstica. O Ministro de Energia e Minas, Angelo Alfaro, testemunhando no Congresso, declarou: "A capacidade de entrega atingiu um ponto historicamente baixo, com uma gravidade além do esperado." Esta crise destacou a vulnerabilidade da infraestrutura energética peruana, especialmente sua alta dependência do gás natural, que responde por cerca de 60% da geração de eletricidade, criando um risco de "ponto único de falha".
Como o segundo maior produtor mundial de cobre, o setor de mineração do Peru consome aproximadamente 25-30% da eletricidade do país. A mineração de cobre requer um fornecimento de energia contínuo e estável, com requisitos de confiabilidade superiores a 99,5%. Durante a crise, com a realocação da distribuição de energia para residências e serviços essenciais, as operações de mineração enfrentaram ajustes operacionais imediatos. A produção caiu para 60-70% da capacidade em 24 horas, com algumas instalações registrando reduções de 15-20% na produção. As principais minas de cobre, como Antamina, Las Bambas e Cerro Verde, têm demandas de pico de energia entre 400-800 megawatts, representando coletivamente 60-70% da demanda industrial de eletricidade. A interrupção energética impactou diretamente a produção anual de cobre, de aproximadamente 2,3 milhões de toneladas métricas.
O governo peruano implementou uma série de medidas de emergência. O Primeiro-Ministro Dennis Miralães anunciou um plano abrangente de contingência em 6 de março, incluindo a implementação de trabalho remoto, a transição para educação online e o racionamento de combustível para veículos particulares. A estrutura de alocação do governo priorizou consumidores residenciais (40-45%), com operações industriais de mineração recebendo uma alocação secundária (30-35%). A Sociedade Nacional de Mineração, Petróleo e Energia (SNMPE) coordenou importações emergenciais de GLP para compensar as perdas na produção doméstica. A crise expôs problemas de infraestrutura centralizada e redundância limitada, levando as empresas de mineração a reforçarem avaliações de segurança energética e investirem em sistemas de backup e diversificação da matriz energética.









