Os ataques cibernéticos à indústria de mineração dobraram no último ano, com cerca de 60% dos incidentes concentrados em operações relacionadas a minerais críticos. De acordo com o Centro de Análise e Compartilhamento de Informações para Mineração e Metais (MM-ISAC), essa tendência reflete o valor crescente desses recursos na transição energética e nas estratégias globais, tornando a mineração um alvo principal para cibercriminosos.
A indústria de mineração é particularmente vulnerável a ataques digitais devido à sua operação 24/7, dependência de sistemas tecnológicos que não podem ser interrompidos e ao gerenciamento de informações sobre minerais críticos. A América Latina, que abriga algumas das maiores reservas globais de minerais críticos, atrai ainda mais o interesse de grupos de cibercrime em se infiltrar.
O desafio para as empresas de mineração não é apenas a frequência dos ataques, mas também sua velocidade. Pesquisas da CrowdStrike mostram que, após obter acesso inicial, os atacantes levam em média 48 minutos para se mover dentro de uma rede, com o caso mais rápido levando apenas 51 segundos. Isso significa que, se uma empresa leva horas ou dias para detectar uma invasão, o atacante já pode ter alcançado seu objetivo.
Diante dessa situação, muitas empresas optam por pagar resgates para restaurar seus sistemas, mas os dados indicam que essa estratégia tem eficácia limitada. Segundo a empresa Claroty, 43% das empresas de mineração afetadas pagaram mais de US$ 1 milhão, mas 83% das que pagaram resgates foram atacadas novamente. Pagar um resgate não elimina a ameaça, apenas adia o próximo ataque.
Outro fator crucial é a cadeia de suprimentos tecnológica. Em três quartos dos ataques, o ponto de acesso inicial foi um fornecedor externo, como um contratante de manutenção, integrador de sistemas ou fornecedor de software. Esses atores têm acesso legítimo aos sistemas, tornando-se potenciais canais de infiltração.
Para lidar com essa situação, a indústria de mineração começou a fortalecer suas defesas digitais. Em 2023, várias empresas na América Latina criaram a CC MIN (Cibersegurança Corporativa para Mineração), com o objetivo de melhorar a capacidade do setor de responder a ameaças cibernéticas. Em 2025, essa entidade assinou uma aliança estratégica com o MM-ISAC global para reforçar a cooperação internacional em cibersegurança para mineração.
Especialistas apontam que a proteção do setor deve se basear em três pilares principais: visibilidade completa dos sistemas de tecnologia operacional, detecção precoce baseada em inteligência artificial e um modelo de segurança de confiança zero para fornecedores. O desafio é que as empresas devem detectar e responder a um ataque em menos de 48 minutos, que é o tempo médio que os atacantes levam atualmente para comprometer uma rede.










