De acordo com pt.wedoany.com-Recentemente, a operadora internacional de telecomunicações italiana Sparkle e a operadora de telecomunicações boliviana Entel Bolivia assinaram um Memorando de Entendimento para comercializar conjuntamente o "Corredor Digital Bioceânico" que atravessa a América do Sul. Esta rota de fibra terrestre conectará o Peru ao Brasil através da Bolívia, formando um canal de comunicação de baixa latência que liga os gateways digitais dos oceanos Pacífico e Atlântico, com uma capacidade projetada escalável até 60 Tbps.
O projeto, com uma extensão total de aproximadamente 4.370 km, planeja estabelecer uma conexão terrestre direta de Lima, no Peru, a São Paulo, no Brasil, reduzindo a latência de rede entre as duas cidades de mais de 120 milissegundos para menos de 60 milissegundos. Para a infraestrutura digital sul-americana, o valor desta rota reside em oferecer um canal de backup terrestre e de baixa latência, distinto das rotas tradicionais de cabos submarinos, o que pode aumentar a resiliência da internet regional, serviços de nuvem, distribuição de conteúdo, linhas dedicadas empresariais e transmissão de dados transfronteiriça.
A Bolívia desempenha um papel crucial como nó de trânsito neste projeto. Devido à sua localização no centro do continente sul-americano, conectando o lado ocidental da Cordilheira dos Andes ao mercado interno brasileiro, o país possui valor como corredor geográfico. A parceria da Entel Bolivia com a Sparkle integrará os recursos da rede terrestre boliviana em um corredor digital intercontinental mais amplo, permitindo que o país transite de um participante do mercado de comunicações interior para um nó de trânsito de tráfego de dados transoceânicos na América do Sul.
O planejamento de capacidade de 60 Tbps indica que este corredor não se destina apenas a serviços de voz tradicionais ou acesso comum à internet, mas reserva espaço de banda para o crescimento do tráfego de computação em nuvem, streaming, transações financeiras, serviços empresariais remotos, redes de distribuição de conteúdo e dados de IA. A transmissão de dados leste-oeste na América do Sul dependeu historicamente de cabos submarinos e backbones regionais. Se a rota terrestre conseguir formar uma operação comercial estável, ajudará a dispersar a pressão do tráfego transfronteiriço e a melhorar a qualidade da conexão para alguns negócios no interior e multinacionais.
Para a Sparkle, o Corredor Digital Bioceânico fortalecerá seu posicionamento no mercado de conectividade internacional da América Latina. A Sparkle é uma provedora global de backbone e serviços de comunicação por atacado, conectando a Europa, as Américas, o Mediterrâneo e outros mercados regionais. Através da cooperação com a Entel Bolivia, a Sparkle pode integrar o tráfego interno leste-oeste do continente sul-americano em seu sistema de rede global, oferecendo mais opções de roteamento para operadoras, provedores de nuvem, plataformas de conteúdo e empresas multinacionais.
O projeto ainda está na fase de assinatura do Memorando de Entendimento e avanço da comercialização conjunta, não podendo ser equiparado à conclusão do lançamento de todas as linhas ou à plena utilização da capacidade de 60 Tbps. A implementação subsequente ainda envolverá etapas como interconexão de rede transfronteiriça, acordos comerciais de roteamento, implantação de equipamentos, coordenação de operação e manutenção, acordos de nível de serviço, acesso de clientes e licenças regulatórias. Para clientes empresariais, a capacidade real disponível dependerá dos nós de ativação da rota, produtos de largura de banda, desempenho de latência e mecanismos de failover.
As observações subsequentes se concentrarão no cronograma de comercialização do Corredor Digital Bioceânico, no progresso da ativação da rota Lima-São Paulo, na liberação faseada da capacidade de 60 Tbps e se o canal poderá atrair clientes de serviços de nuvem, distribuição de conteúdo e operadoras de atacado. A construção conjunta do Corredor Digital Bioceânico pela italiana Sparkle e pela boliviana Entel Bolivia demonstra que a infraestrutura de comunicações sul-americana está se expandindo das conexões de cabos submarinos costeiros para backbones terrestres transcontinentais de baixa latência.
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