Congresso ENAFER 2026 no Brasil convoca modernização do setor de moldes para aumentar competitividade
2026-06-04 09:51
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De acordo com pt.wedoany.com-O Congresso Nacional da Indústria de Moldes do Brasil (ENAFER 2026) foi realizado recentemente no edifício da FIESP, na Avenida Paulista, em São Paulo, organizado pela Associação Brasileira da Indústria de Moldes (ABINFER), reunindo cerca de 900 profissionais. Na abertura, uma metáfora resumiu o tom do debate: "O molde é a mãe da indústria, e tratamos muito mal a nossa mãe." Essa frase acrescentou urgência às discussões, enfatizando que o setor vai muito além de uma etapa auxiliar de produção, sendo a base tecnológica para diferentes áreas industriais.

O congresso debateu inovações tecnológicas e ganhos de produtividade voltados para a Indústria 4.0, bem como a necessidade de integração entre empresas e governo. Os participantes também analisaram barreiras técnicas e gerenciais na cadeia produtiva, modelos de capacitação, o andamento do programa ROTA 2030 e a dinâmica de aplicação de tecnologias digitais. A ABINFER destacou que, sem fábricas de moldes modernas e bem estruturadas, o Brasil perderá capacidade de produção, inovação e competitividade nas cadeias globais.

O presidente da ABINFER, Christian Dihlmann, apresentou o programa Podium — Complexo Econômico-Industrial do Molde. Baseado em doze pilares, como governança, atração de jovens talentos, qualificação de fábricas e renovação de equipamentos com foco em sustentabilidade, o programa visa corrigir problemas históricos do setor. Representantes da associação afirmaram que o objetivo é alinhar, na próxima década, o custo dos moldes brasileiros ao nível atual da China, operando com margens de lucro 7% inferiores a esse patamar. As formas de alcançar isso incluem treinamento intensivo e produção em larga escala para reduzir custos fixos.

Ao discutir desafios como o aumento dos custos de matérias-primas e a digitalização de processos, Marcos Silva, representante da Iscar do Brasil, alertou para uma "alta sem precedentes" no custo do tungstênio, principal matéria-prima das ferramentas de corte, pressionando as margens do setor. Ele apresentou o programa Max Value, focado no conceito de "menor custo, maior resultado", reduzindo o uso de metal duro por meio de soluções como pastilhas multiaresta e ferramentas com cabeça intercambiável, além de oferecer suporte direto por meio de um departamento de engenharia aplicada, garantindo margens saudáveis para as fábricas de moldes mesmo em tempos de crise.

Glauber Longo, da TopSolid, defendeu o uso da tecnologia como aliada para enfrentar a escassez de profissionais qualificados. Ao destacar a importância de realizar o congresso na FIESP, ele observou que o futuro do setor de moldes depende diretamente da velocidade com que o setor absorve jovens talentos. Ele enfatizou que novos profissionais que dominam tecnologias integradas como CAD (Projeto Assistido por Computador), CAE (Engenharia Assistida por Computador), CAM (Manufatura Assistida por Computador), TDM (Gerenciamento de Dados de Ferramentas) e ERP (Planejamento de Recursos Empresariais) são o divisor de águas fundamental para a modernização e o aumento da competitividade das fábricas de moldes.

Roberto Cardoso, representante da SKA, complementou a visão de modernização tecnológica, argumentando que a missão central das empresas hoje não é apenas adotar tecnologia, mas saber como integrá-la. Ele explicou que a digitalização requer a conexão inteligente de tudo, desde engenharia e orçamento até manufatura e gestão de fábrica, necessitando de equipes técnicas especializadas para fornecer soluções transversais a todos os departamentos das fábricas de moldes.

A conclusão do ENAFER 2026 apontou que o futuro da indústria brasileira de moldes depende da integração do ecossistema e do reconhecimento de seu papel global, e não de esforços isolados. O congresso equilibrou a urgência da modernização tecnológica com a capacitação profissional, enfatizando que parar de competir internamente e engajar-se na competição global é o único roteiro possível para a sobrevivência do setor. O evento destacou que investir em equipamentos de ponta sem capacitar operadores cria lacunas de produção; focar na gestão sem garantir a escala da fábrica limita o crescimento. O congresso convocou a elevação do fortalecimento da base de moldes de uma reivindicação setorial para o núcleo de uma política nacional dinâmica e voltada para o futuro.

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