Vesper, do Brasil, lança rodada de financiamento de US$ 15 milhões para desenvolver biotecnologia com IA
2026-06-04 10:06
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De acordo com pt.wedoany.com-A Vesper Biotechnologies, um estúdio de empreendedorismo em biotecnologia brasileiro, anunciou uma parceria com o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da Universidade Federal de Goiás, após receber investimento da família Lafer, controladora da Klabin, para desenvolver aplicações de inteligência artificial voltadas à biotecnologia. A notícia foi divulgada durante uma conferência anual realizada nos dias 25 e 26 de maio de 2026, em Florianópolis, Santa Catarina.

Com sede em Santa Catarina, a Vesper é o primeiro estúdio de empreendedorismo do Brasil focado em biotecnologia. Esse modelo não apenas oferece suporte financeiro, mas também cria e impulsiona empresas do setor por meio de gestão financeira e operacional. O CEO e cofundador, Gabriel Bottos, tem formação em engenharia e 20 anos de experiência na criação de empresas em diversas áreas. Sua trajetória empreendedora começou em 2008, quando fundou a Welle Lasers, empresa de marcação a laser e micro-usinagem, junto com seu irmão Rafael Bottos.

Em 2018, Bottos fundou a Vesper com Julio Moura, Jonas Sister e Rafael Bottos, com o conceito central de criar "empresas que fazem bem ao mundo". Em entrevista à Forbes Brasil, ele afirmou que, na época, não sonhava em atuar na biotecnologia, mas tinha um objetivo real: criar negócios que fossem além da valorização do capital. Em 2019, sua sobrinha Helena, de 4 anos, foi diagnosticada com neuroblastoma estágio 4 resistente à quimioterapia, um câncer infantil raro e extremamente agressivo, com menos de 3% de chance de sobrevivência e expectativa de vida inferior a um ano e meio. A família levou Helena a Madri, na Espanha, para participar de um ensaio clínico de dois anos com um medicamento em teste no país. Graças ao tratamento, a menina venceu o câncer. Essa experiência fez com que a equipe direcionasse toda sua energia e capacidade para a área de biotecnologia.

A empresa avalia mais de 4.000 projetos do Brasil e do exterior por meio de um conselho consultivo científico composto por especialistas globais de ponta, selecionando oito para compor seu portfólio, dos quais cinco focam em saúde humana e três em agricultura e diagnóstico. A equipe da Vesper busca ciência de ponta nas universidades, oferecendo suporte em gestão, capital e propriedade intelectual nos padrões internacionais. A empresa já captou mais de R$ 220 milhões, criou 17 patentes internacionais e conta com mais de 100 funcionários.

No final de 2025, a Vesper lançou uma rodada de financiamento de US$ 15 milhões (cerca de R$ 75 milhões), atraindo investidores estratégicos como a família Lafer, da Klabin. Os investidores atuais da empresa incluem ECOA Capital, Green Rock e os programas federais Finep e Emprapii. O CEO Bottos afirmou que o objetivo é concluir a rodada até o final de 2025, utilizando os recursos para cultivar um novo modelo econômico de biotecnologia no Brasil. Ele também destacou que financiar empresas de biotecnologia no Brasil ainda é um grande desafio, com o mercado apresentando preconceitos em relação a impasses regulatórios e ciclos de desenvolvimento. A Vesper está trabalhando para demonstrar aos investidores que seu portfólio combina ciência de ponta, gestão séria e as melhores práticas de governança.

Na área de saúde humana, a Vesper desenvolve terapias para câncer, doenças autoimunes, doenças infecciosas, demência e doenças relacionadas ao envelhecimento. A Aptah Bio, por exemplo, foca no desenvolvimento de terapias baseadas em RNA e, em fevereiro deste ano, recebeu a designação de medicamento órfão da FDA dos EUA. A Vyro Biotherapeutics utiliza o vírus Zika para desenvolver terapias para tumores do sistema nervoso central. A Futr Bio dedica-se à pesquisa e desenvolvimento de vacinas de RNA, a Cellerts foca em terapias celulares, e a Reddot concentra-se em diagnóstico molecular. A empresa também possui um projeto em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para desenvolver novas terapias para mieloma múltiplo usando uma plataforma de inteligência artificial, com valor de R$ 21 milhões. Na agricultura, o portfólio da Vesper inclui a Symbiomics, que desenvolve insumos biológicos para substituir fertilizantes químicos, além da InEdita e Hapiseeds, focadas em edição genômica de plantas. Os objetivos são triplos: aumentar a produtividade na mesma área; reduzir custos, especialmente com produtos químicos, diminuindo a dependência de fertilizantes e pesticidas e minimizando o impacto ambiental; e reduzir perdas causadas por estresse climático. A empresa adota o modelo "Intel Inside", licenciando sua tecnologia para produtores de sementes em todo o mundo. Bottos compara: "É como a NVIDIA, que desenvolve soluções e as incorpora em máquinas e equipamentos ao redor do mundo."

A Vesper também possui o maior banco de dados microbiológicos do Brasil e um dos maiores bancos de dados de fungos e bactérias do mundo. A empresa utiliza inteligência artificial para otimizar moléculas como o RNA, que carregam informações, acelerando o equivalente a 6 bilhões de anos de evolução. A empresa planeja incorporar duas startups ao seu portfólio anualmente e considera financiar sua expansão por meio de uma oferta pública inicial (IPO). A meta de médio prazo é ter pelo menos três medicamentos em fase clínica, cinco a sete produtos de diagnóstico no mercado e pelo menos dez produtos agrícolas testados em campo, com o objetivo de criar o primeiro unicórnio de biotecnologia do Brasil.

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