Estado do Mato Grosso, Brasil, compromete-se a deixar de usar madeira nativa para abastecer usinas de etanol até 2034
2026-06-10 09:02
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De acordo com pt.wedoany.com-O governo do estado do Mato Grosso, Brasil, assinou um Termo de Compromisso Ambiental (TCA), comprometendo-se a, a partir de 2034, deixar de utilizar madeira proveniente de florestas nativas nas caldeiras que abastecem indústrias agrícolas, como as usinas de etanol de milho.

O termo também prevê a redução gradual do consumo de madeira nativa pela indústria agrícola. A assinatura ocorreu após o Ministério Público Estadual ter iniciado uma investigação no final do ano passado para verificar possíveis irregularidades no uso de matéria-prima vegetal. O setor busca a descarbonização, mas sua expansão pode incentivar práticas ambientalmente condenáveis, como o desmatamento, embora a lei brasileira permita que produtores agrícolas desmatem parte de suas terras.

O TCA, assinado pelo governador Otaviano Pivetta, destaca que a demanda por matéria-prima florestal no estado cresceu significativamente nos últimos anos, exigindo medidas estruturais para expandir o plantio de eucalipto e a oferta sustentável de biomassa, como resíduos agroindustriais. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, entre 2021 e 2024, o consumo de matéria-prima florestal pela indústria agrícola do Mato Grosso (especialmente usinas de etanol de milho) mais que dobrou, atingindo 7,4 milhões de metros cúbicos. No mesmo período, a área plantada de eucalipto (biomassa renovável) caiu 3,5%. Segundo o TCA, sem políticas estruturais, o aumento da demanda por matéria-prima florestal para produção de energia pode comprometer a expansão de setores como o de etanol de milho.

No ano passado, o Mato Grosso contava com cerca de uma dúzia de usinas de etanol de milho, e, de acordo com dados do setor, há mais de uma dezena de projetos para os próximos anos. A Associação de Reflorestamento do Mato Grosso (Arefloresta) divulgou uma declaração na semana passada apontando que, diante do forte crescimento da indústria de etanol de milho, o estado enfrenta um problema de desabastecimento de biomassa de florestas plantadas. A Arefloresta afirma que já há escassez de matéria-prima energética para a produção de etanol de milho, sendo necessário planejamento, pois a colheita do eucalipto leva de seis a sete anos.

O termo assinado mostra que o governo deve aprovar, em até 30 dias, um decreto regulamentando um plano que visa expandir a área de florestas plantadas para 700 mil hectares ou mais até 2040, enquanto em 2024 a área de eucalipto era de aproximadamente 200 mil hectares. O plano também prevê a expansão da área de manejo florestal sustentável para 6,5 milhões de hectares ou mais até 2040, e a redução, nos próximos anos, do uso de madeira nativa proveniente de áreas desmatadas por grandes consumidores. O consumo de matéria-prima proveniente da remoção de vegetação nativa deve ser limitado a no máximo 50% até o final de 2030; 40% em 2031; 30% em 2032; e 10% em 2033. A partir de 2034, a meta deve ser reduzida a zero.

O governo do Mato Grosso deve notificar as empresas em até 90 dias após a assinatura do TCA para que tomem as medidas cabíveis. Em 2027, 2028 e 2029, embora não haja um limite pré-estabelecido para o consumo de matéria-prima proveniente da remoção de vegetação nativa, o governo exigirá que as empresas comprovem a legalidade da origem da madeira e implementem planos proporcionais ao consumo anual. A obrigação de plantar florestas para atender à demanda energética pode ser assumida pelos próprios empresários, por meio do plantio em terras de terceiros ou da compra de créditos de reposição florestal baseados em plantações.

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