Estado de Goiás publica decreto para detalhar política de minerais críticos
2026-06-10 09:07
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De acordo com pt.wedoany.com-O governo do Estado de Goiás publicou um decreto para detalhar a Lei Estadual 23.597/2025, estabelecendo mecanismos para incentivar a industrialização local e introduzindo elementos de controle da cadeia de suprimentos. O decreto foi assinado pelo atual governador Daniel Vilela, cujo antecessor, Ronaldo Caiado (Partido Social Democrático), já renunciou ao cargo para iniciar sua pré-campanha presidencial.

Governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Foto: José Cruz/Agência Brasil

Esta medida visa posicionar Goiás de forma vantajosa na disputa global por terras raras, lítio e outros minerais estratégicos. A política nacional de minerais críticos ainda aguarda votação no Senado, e a importância dos minerais críticos na campanha presidencial de 2026 cresce cada vez mais. Na pré-campanha, Caiado utiliza as reservas de terras raras de Goiás para destacar diferenças em relação ao governo de Lula (Partido dos Trabalhadores) e defende o fortalecimento dos laços com os Estados Unidos, embora também apoie a industrialização doméstica desses minerais. Em março deste ano, o governador chegou a assinar um memorando de cooperação com o governo de Donald Trump para realizar pesquisa e mapeamento de recursos, antes mesmo de iniciativas federais.

Goiás possui algumas das mais importantes reservas de terras raras do país. O estado ganhou destaque global com a venda da mineradora Serra Verde, em Minaçu, por US$ 2,8 bilhões para a empresa americana USA Rare Earth. Posteriormente, a empresa assinou um acordo de financiamento de bilhões de dólares com o Departamento de Comércio dos EUA, que, em troca, receberá participação acionária na empresa. A Serra Verde já estava listada entre os projetos estratégicos dos EUA durante o governo de Joe Biden.

O decreto agora publicado consolida essa estratégia ao criar a Agência de Mineração de Minerais Críticos de Goiás (AMIC/GO). Este órgão será responsável por coordenar a política mineral do estado, incluindo a decisão sobre a qualificação de empresas, o acompanhamento de projetos estratégicos, a proposta de criação de áreas prioritárias para mineração e a gestão de instrumentos de apoio. O principal objetivo da regulamentação é incentivar a agregação de valor dentro do estado. As empresas podem aderir voluntariamente para obter benefícios estaduais (como isenção do ICMS), mas assumem obrigações, incluindo a apresentação de um "Plano de Verticalização Progressiva", que deve indicar metas graduais para agregação de valor, processamento, transformação, inovação tecnológica, sustentabilidade e integração produtiva dentro de Goiás.

O decreto também cria as "Zonas Especiais de Minerais Críticos (ZEMCs)". Essas áreas serão delimitadas por decreto do governador e terão prioridade em planejamento, infraestrutura e coordenação administrativa, devendo comprovar seu potencial geológico ou importância estratégica, além de estar alinhadas ao planejamento territorial, ambiental, logístico e energético do estado. O governo planeja concentrar investimentos em rodovias, corredores logísticos e outras obras nessas áreas. Simultaneamente, a regulamentação normatiza o "Fundo Estadual de Desenvolvimento de Minerais Críticos (FEDMC)", que pode ser usado para financiar pesquisa, inovação, infraestrutura, capacitação de mão de obra e atração de projetos industriais, com recursos prioritariamente direcionados a atividades relacionadas a processamento, transformação, reciclagem e produção de componentes de alto valor agregado.

O texto estabelece mecanismos que permitem ao governo estadual avaliar o fluxo de minerais. A diversificação de mercados, a redução da dependência comercial excessiva, a rastreabilidade da cadeia de suprimentos e a mitigação de riscos de abastecimento são considerados critérios estratégicos para a concessão de benefícios estaduais. Para conceder ou manter incentivos, a AMIC/GO pode considerar a diversificação dos contratos de compra (offtake), a concentração por país de destino, o cumprimento das promessas de agregação de valor doméstico e a conformidade com as diretrizes políticas relevantes. O decreto também permite que os termos firmados com as empresas incluam mecanismos para limitar, direta ou indiretamente, a concentração da produção em um mesmo país de destino, mesmo que essa concentração ocorra por meio de trading companies ou empresas afiliadas a um mesmo grupo econômico. Esta cláusula ganha peso especial no contexto geopolítico atual – onde a China domina a maior parte do processamento global de terras raras e outros minerais críticos, enquanto os EUA buscam fornecedores alternativos para reduzir a dependência da cadeia chinesa, tornando o Brasil um foco de atenção crescente da comunidade internacional.

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