De acordo com pt.wedoany.com-A empresa espanhola de IoT via satélite Sateliot, em parceria com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD) do Brasil, concluiu uma prova de conceito que permite conectar dispositivos IoT diretamente a satélites de órbita baixa, sem necessidade de equipamentos dedicados ou adaptadores especiais. A aplicação inicial concentra-se no rastreamento de bovinos em áreas rurais brasileiras.

O desafio de conectar o campo brasileiro é frequentemente atribuído à falta de infraestrutura, como cabos de fibra óptica, torres de sinal e até estradas. Para a Sateliot, a questão central reside no modelo tradicional de construção de redes. A empresa opera o que afirma ser a "primeira constelação de satélites de órbita baixa compatível com o padrão global de telecomunicações 3GPP". O 3GPP é o órgão responsável por definir as especificações globais para redes móveis. Este teste de prova de conceito, realizado em áreas sem cobertura de rede celular, marca a primeira demonstração de conectividade de nível comercial no Brasil em uma Rede Não Terrestre (NTN).
Gianluca Redolfi, Diretor Comercial da Sateliot, afirmou que a validação técnica demonstrou sua viabilidade em condições reais, podendo ser implementada com equipamentos padrão e utilizando a infraestrutura existente das operadoras. Ele destacou que a constelação de satélites de Órbita Baixa da Terra (LEO) funciona como "torres de sinal no espaço", estendendo a cobertura da rede móvel para dispositivos IoT comerciais não modificados. Diferentemente de serviços de internet via satélite como o Starlink, esta tecnologia elimina a necessidade de antenas ou dispositivos de conexão específicos. Redolfi estima que essa característica pode reduzir as barreiras de adoção em áreas remotas para setores como agropecuária, logística, mineração, petróleo e gás, e monitoramento ambiental.
Gustavo Lima, Diretor de Inovação e Tecnologia do CPQD, afirmou que cerca de 23% do território brasileiro possui cobertura de rede móvel, sendo o restante considerado um "deserto digital". Nesse contexto, foi desenvolvida a primeira aplicação voltada para a rastreabilidade bovina. O Brasil possui mais de 230 milhões de cabeças de gado, e a demanda por rastreabilidade aumenta sob pressões sanitárias e ambientais. Lima estima que pecuaristas capazes de comprovar a origem dos animais podem obter um prêmio de 100 a 300 reais por cabeça. O CPQD está atualmente desenvolvendo protótipos, com a expectativa de que sejam transformados em produtos pela indústria brasileira, como a produção de brincos de identificação que possam se conectar aos satélites da Sateliot. Além da pecuária, logística, monitoramento ambiental, vigilância de barragens, controle de incêndios, infraestrutura energética, mineração e operações de petróleo e gás são considerados mercados prioritários. Lima acredita que o diferencial da tecnologia reside na redução significativa dos custos de comunicação via satélite, transformando projetos antes economicamente inviáveis em oportunidades de negócio. A Sateliot prevê iniciar suas operações comerciais no Brasil entre setembro e outubro deste ano.
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