De acordo com pt.wedoany.com-Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveram um novo sistema de propulsão de foguetes que combina a alta potência e a capacidade de resposta rápida dos propulsores químicos tradicionais com a alta precisão e eficiência dos propulsores elétricos, permitindo que microssatélites realizem diversas manobras no espaço com um único tanque de combustível.

Em projetos tradicionais, propulsores químicos permitem que pequenos satélites executem manobras rápidas e curtas (como subir ou descer rapidamente de órbita), enquanto propulsores elétricos, como os eletrospray, são adequados para deslocamentos lentos, porém precisos. Ao compartilhar o mesmo sistema, a flexibilidade dos pequenos satélites no espaço aumenta significativamente, sem a necessidade de transportar dois sistemas de combustível independentes.
"Se você puder integrar a propulsão química e a elétrica em um pequeno volume, terá o melhor dos dois mundos", afirmou Amelia Bruno, ex-pós-doutoranda do Departamento de Aeronáutica e Astronáutica do MIT. "Isso abre portas para que pequenos satélites realizem mais pesquisas científicas, mais observações e executem mais tarefas interessantes em plataformas menores e mais baratas."
O núcleo do sistema é um propelente especializado que pode acionar tanto propulsores químicos quanto eletrospray. Os propulsores eletrospray são foguetes do tamanho de uma unha, que utilizam um campo elétrico para carregar partículas de propelente líquido e ejetá-las, gerando empuxo. Esse propelente líquido iônico é essencialmente feito de sais que permanecem no estado líquido. Na última década, a equipe do MIT vem desenvolvendo e testando propulsores eletrospray para microssatélites.
Recentemente, os pesquisadores descobriram um propelente monopropelente verde chamado "Advanced SpaceCraft Energetic Non-Toxic propellant" (ASCENT), originalmente desenvolvido pela Força Aérea dos EUA para propulsores químicos. Ele foi projetado como uma alternativa de baixa toxicidade à hidrazina — a hidrazina é uma fonte tradicional de combustível para propulsão química, cujo manuseio é extremamente perigoso. Como o ASCENT é uma mistura de líquidos iônicos, a equipe testou e descobriu que ele pode alimentar com sucesso tanto propulsores químicos quanto atingir eficiência comparável aos líquidos iônicos tradicionais ao impulsionar propulsores eletrospray.
Após comprovar a eficácia do ASCENT em ambos os modos de propulsão, a equipe planeja validar o conceito por meio da missão "Green Propulsion Dual-Mode" da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA). A missão transporta um nanossatélite CubeSat do tamanho de uma pasta, equipado com um propulsor químico e quatro propulsores eletrospray, todos alimentados por um tanque de combustível compacto dois-em-um. O CubeSat está programado para ser lançado em novembro; se bem-sucedido, pode abrir caminho para que pequenos satélites explorem missões além da órbita terrestre.
"Podemos enviar CubeSats para Marte ou para o cinturão de asteroides, onde eles podem usar propulsores eletrospray para navegar lentamente", disse Paulo Lozano, professor de Aeronáutica e Astronáutica do MIT e coautor do estudo sobre o propulsor. "Então você pode usar um propulsor químico para se mover rapidamente e observar vistas interessantes. Você terá muito mais flexibilidade para fazer muito mais coisas."
O artigo de pesquisa relacionado, intitulado "Performance characterisation of electrospray thrusters with energetic ionic liquid monopropellant" (Caracterização de desempenho de propulsores eletrospray com monopropelente líquido iônico energético), foi publicado no Journal of Propulsion and Power.
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