ANP do Brasil adia indefinidamente a revisão das regras de venda de GLP
De acordo com pt.wedoany.com-A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) do Brasil decidiu adiar indefinidamente a análise da revisão das regras de venda de gás liquefeito de petróleo (GLP) engarrafado. O conselho da agência planejava avaliar, nesta sexta-feira (12), a consulta pública sobre a proposta de alteração do marco regulatório do setor, mas acabou adiando a discussão para concentrar recursos no monitoramento dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre o abastecimento doméstico de combustíveis.

Ao explicar a decisão, o diretor-geral da ANP, Artur Watt Neto, destacou que a agência enfrenta limitações de recursos e precisa ajustar temporariamente a equipe e o foco de trabalho. A prioridade atual é realizar o monitoramento do mercado e adotar medidas preventivas para mitigar possíveis riscos ao abastecimento doméstico de combustíveis.

A proposta de suspensão dos planos previstos na agenda regulatória 2025-2026 foi apresentada pelo próprio diretor e aprovada por unanimidade pelo conselho. A medida inclui também a realocação emergencial de funcionários para os setores de monitoramento de preços e garantia de abastecimento.
A diretora Symone Araújo enfatizou que, mesmo com um eventual acordo de paz entre Irã e Estados Unidos, os efeitos posteriores do conflito geopolítico podem persistir. A normalização do mercado internacional de combustíveis pode levar um tempo considerável. Ela também observou que, devido à demanda de transporte durante a safra agrícola, o consumo de diesel no Brasil geralmente aumenta no segundo semestre, coincidindo com a aproximação da temporada de furacões no Golfo do México. As previsões climáticas indicam a possibilidade de um fenômeno El Niño de forte intensidade, o que resultaria em seca severa no norte do Brasil e fortes chuvas no sul, exigindo atenção adicional da ANP.
Diante disso, as seguintes ações da agenda regulatória da ANP foram suspensas:

Item 4.6: Revisão da Resolução ANP nº 795/2029, que estabelece a obrigação de produtores, importadores e distribuidores de apresentar dados de preços de venda de derivados de petróleo e biocombustíveis, entre outras medidas (Superintendência de Defesa da Concorrência – SDC);
Item 4.8: Revisão das Resoluções ANP nº 957/2023 e nº 958/2023, que regulamentam as atividades de distribuição e revenda de gás liquefeito de petróleo (GLP) (Superintendência de Distribuição e Logística – SDL);
Item 4.9: Elaboração de um plano que estabeleça diretrizes a serem seguidas pelos regulados em caso de risco de restrição ou interrupção do fornecimento de combustíveis específicos (SDL);
Item 5.4: Revisão da Resolução ANP nº 915/2023, para atualizar os critérios de julgamento da agência sobre prazos de antecedência, reincidência e aplicação de penalidades de suspensão e cassação em suas ações de fiscalização (Superintendência de Fiscalização do Abastecimento – SFI).
Em relação à reação do mercado, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) manifestou-se positivamente quanto à decisão do conselho da ANP de suspender o processo de análise da reforma do setor de GLP. A entidade considera que o debate regulatório sobre essas medidas requer uma análise técnica mais aprofundada e estudos complementares, e que as ideias atualmente em discussão ainda precisam ter sua viabilidade econômica, capacidade de escala e sustentabilidade de longo prazo verificadas.

O Sindigás enfatizou que o Brasil construiu, ao longo de décadas, uma das redes de distribuição de GLP mais amplas e eficientes do mundo, com entregas regulares do produto em praticamente todos os municípios do país, altos padrões de segurança e elevada cobertura. A entidade ressalta que as regras atuais podem ser aprimoradas, desde que sejam preservadas as bases que tornaram o modelo brasileiro uma referência internacional em segurança e qualidade de serviço. A entidade considera que, no geral, o conjunto de propostas em discussão carece de embasamento técnico suficiente, e que medidas específicas, como o pré-enchimento e a quebra da marca saliente dos botijões, podem aumentar a vulnerabilidade do setor, criando brechas para fraudes, sonegação fiscal e operações ilegais em um mercado essencial para mais de 66 milhões de famílias brasileiras.

A entidade também destacou que a Lei nº 15.348/2026 (Lei do Gás para o Povo) e a Resolução CNPE nº 3/2026 estabelecem diretrizes claras para a regulação do setor, incluindo elementos como segurança jurídica, previsibilidade de investimentos, cumprimento de normas técnicas e proteção ao consumidor, considerados fundamentais para a sustentabilidade do programa Gás para o Povo. O Sindigás reafirma seu compromisso com a modernização e o aprimoramento contínuo do setor de GLP e continuará prestando suporte técnico à ANP nos debates regulatórios subsequentes, em busca de soluções que conciliem eficiência, segurança e bem-estar social.
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