De acordo com pt.wedoany.com-A usina hidrelétrica de Jirau planeja continuar operando seu reservatório no regime atual durante o período de seca de 2026, após decisão relacionada do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); a operação com "cota 90 metros constante" dependerá dos resultados de testes em andamento e da apresentação de estudos complementares.

Esta manifestação repete a posição já adotada pelo Ibama em 2025, quando a operadora da usina havia feito solicitação semelhante. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) manifestaram preocupação com a vazão do rio Madeira, devido à possível ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026, que pode se estender até o início de 2027.
A usina hidrelétrica de Jirau, com capacidade instalada de 3.750 megawatts, está localizada no rio Madeira, em Rondônia. A operadora reiterou a posição do órgão ambiental em carta de resposta à ANA.
A ANA já solicitou à operadora um plano operacional detalhado para os próximos meses. O órgão aponta que o fenômeno El Niño pode causar déficit de chuvas na Amazônia, tornando partes do Norte mais secas, aumentando o risco de eventos extremos que podem afetar a disponibilidade hídrica e a geração de energia. Embora as vazões afluentes observadas em Jirau estejam próximas das médias históricas para o período, a bacia do rio Madeira já entrou em período de recessão hidrológica. A ANA enfatiza que o planejamento operacional deve garantir o atendimento às condições da outorga de uso da água, especialmente a manutenção da vazão remanescente mínima de 3.240 metros cúbicos por segundo a jusante da usina, e atender aos usos múltiplos da água durante o período de seca de 2026.
Em carta de resposta à ANA em 15 de junho, a operadora afirmou que a ampliação da capacidade de regularização da vazão do reservatório depende da futura implementação da operação com "cota 90 metros constante", que ainda aguarda licenciamento ambiental. O modelo atualmente em vigor prevê o rebaixamento gradual do nível do reservatório durante o período de seca até a cota mínima operativa; neste momento, não há volume adicional de água para regularizar as vazões afluentes abaixo da vazão remanescente mínima estabelecida na outorga. A operadora argumenta que essa limitação não é causada pelo modelo de operação ampliada adotado nos últimos anos, mas apenas a futura operação com "cota 90 metros constante" poderá manter um volume adicional de água durante o período de seca e ampliar a capacidade de regularização da vazão a jusante da barragem. A operadora acrescenta que monitora continuamente as condições hidrológicas da bacia do rio Madeira e acompanha os cenários climáticos para o segundo semestre de 2026, incluindo aqueles relacionados ao fenômeno El Niño.
Diante do histórico recente de escassez hídrica na bacia do rio Madeira e da expectativa do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026, o ONS também solicitou esclarecimentos à Jirau Energia sobre a operação da usina em 2026. A operadora aponta que a região enfrentou condições hidrometeorológicas adversas em 2023 e 2024, com vazões excepcionalmente baixas e declaração de situação crítica de escassez hídrica pela ANA. A atuação simultânea do El Niño com o aquecimento anômalo do Atlântico Norte tropical agravou a situação.
Considerando a possível recorrência do El Niño em 2026, o ONS solicitou à operadora informações detalhadas sobre a estratégia de operação do reservatório, bem como sobre os resultados da operação experimental "ampliação da cota 90 metros", adotada em 2025 e novamente declarada para 2026. O ONS exigiu que a operadora apresente a avaliação técnica e ambiental da operação experimental, os resultados obtidos, a comprovação do atendimento às condições estabelecidas pelo Ibama, e a comparação entre a geração de energia sob a regra experimental e a que poderia ser obtida sob a regra de projeto básico da usina. O documento também questiona a necessidade de manter a operação experimental em 2026. Segundo a operadora, a Jirau precisa esclarecer quais questões ainda precisam ser resolvidas para que o reservatório possa operar em toda a faixa entre as cotas máxima e mínima de operação estabelecidas na outorga de uso da água. Outra questão levantada pelo ONS é a adoção da cota 82,50 metros como limite mínimo para a operação experimental, enquanto a outorga de uso da água do projeto estabelece a cota mínima de operação em 82,39 metros. Além das dúvidas operacionais, a operadora enfatiza a importância do cumprimento das condições estabelecidas na outorga de uso da água nº 2.735/2024, especialmente a manutenção da vazão remanescente mínima de 3.240 metros cúbicos por segundo a jusante da barragem. O ONS destaca que esta vazão é essencial para garantir os usos múltiplos da água, incluindo o transporte hidroviário de combustíveis na região. O órgão solicita que a Jirau forneça uma perspectiva operacional para 2026, a fim de garantir que as vazões defluentes sejam iguais ou superiores à vazão remanescente mínima estabelecida na outorga de uso da água do projeto.
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