De acordo com pt.wedoany.com-A PJM Interconnection, em conjunto com a Talen Energy, proprietária da usina, apresentou uma petição conjunta à Comissão Federal de Regulamentação de Energia (FERC) solicitando a extensão do Acordo de Operação por Confiabilidade Obrigatória (RMR) para a usina a carvão Brandon Shores (1,3 GW) e a usina a óleo H.A. Wagner (774 MW) até maio de 2031. Ambas as usinas estão localizadas ao sul de Baltimore, sendo que a Brandon Shores estava originalmente programada para ser desativada em maio de 2025. O primeiro acordo RMR foi aprovado pela FERC em maio de 2025, garantindo um pagamento fixo anual de US$ 180 milhões à Talen Energy e estendendo a operação até maio de 2029. Agora, a PJM solicita uma prorrogação de mais dois anos, e a FERC precisa emitir uma decisão até o início de agosto.

Para que a Brandon Shores seja desativada, é necessário concluir uma série de atualizações na transmissão elétrica a fim de evitar a instabilidade da rede na região de Baltimore, mas o progresso dessas obras está severamente atrasado. Uma linha de transmissão designada em caráter emergencial para a Baltimore Gas and Electric Company (BGE), sem processo de licitação competitiva, teve seu custo estimado duplicado para aproximadamente US$ 1,5 bilhão. A PJM também ampliou a lista de projetos de transmissão que precisam ser concluídos antes da desativação da usina, adicionando várias obras em andamento, incluindo o Maryland Piedmont Reliability Project, de 67 milhas e custo de US$ 424 milhões, uma linha de alta tensão que atravessa os condados de Baltimore, Carroll e Frederick. Um affidavit da PJM de junho de 2026 aponta que a aquisição de terras, a obtenção de licenças e os gargalos na cadeia de suprimentos são as principais causas do atraso.
O escritório do Procurador do Povo de Maryland, David Lapp, que representa os pagadores de tarifas de serviços públicos nos processos regulatórios, afirmou diretamente: "O outro crescimento de carga é, na verdade, o crescimento dos data centers, e quase todo ele está localizado fora de Maryland." Em maio, seu escritório apresentou uma queixa à FERC, acusando a PJM de transferir ilegalmente, nos últimos três anos, cerca de US$ 2 bilhões em custos de transmissão, impulsionados pela demanda de data centers em outros estados, para os pagadores de tarifas de Maryland. Um relatório de março de 2026 do escritório do Procurador do Povo indica que os pagadores de tarifas residenciais de Maryland podem ter que arcar com US$ 5,4 bilhões em instalações de transmissão entre 2031 e 2036, após já terem pago US$ 7,1 bilhões nos últimos 20 anos.
Os preços dos leilões de capacidade da PJM dispararam cerca de dez vezes entre o ano de entrega 2024-2025 e o ano de entrega 2026-2027, com o preço de liquidação atingindo US$ 329/MW-dia. O Instituto de Economia de Energia e Análise Financeira (IEEFA) estima que a demanda de data centers elevou os preços do leilão de 2025-2026 em 63%, fazendo com que os pagadores de tarifas nos 13 estados cobertos pela PJM arcassem com US$ 9,3 bilhões adicionais em custos de capacidade. Os usuários residenciais do oeste de Maryland já pagam cerca de US$ 18 a mais por mês devido a isso. As projeções do NRDC indicam que, sem reformas estruturais, o impacto regional acumulado pode chegar a US$ 163 bilhões até 2033, e até 2028, uma família comum na área da PJM pagará cerca de US$ 70 a mais por mês.
A extensão do acordo RMR da Brandon Shores agrava essa situação. A Lei de Soluções Climáticas Agora (Climate Solutions Now Act) de Maryland de 2031 exige uma redução de 60% nas emissões de gases de efeito estufa do estado em relação aos níveis de 2006, mas o estado já não conseguirá cumprir essa meta no prazo. Uma usina a carvão sendo diretamente estendida até o mesmo ano sob um contrato financiado pelos pagadores de tarifas foi classificada como "devastadora" pela representante de Maryland, Lorig Charkoudian. A decisão da FERC, prevista para agosto, determinará se esse cronograma pode ser mantido.
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