Preço de liquidação das diferenças no mercado de energia elétrica brasileiro no inverno deve ficar abaixo de R$ 200/MWh
2026-06-20 15:33
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De acordo com pt.wedoany.com-O inverno no Hemisfério Sul começa oficialmente em 21 de junho e deve trazer múltiplos impactos para o setor elétrico brasileiro, incluindo mudanças nos padrões de chuva, flutuações na geração de energia renovável e ajustes nos preços do mercado de energia. Este inverno marca a transição para o fenômeno El Niño, cujos efeitos mais significativos são esperados para a primavera e o verão, mas as condições climáticas dos próximos meses já exigem atenção de geradores, comercializadores, consumidores e operadores do sistema.

Canal Solar - Quais os impactos do inverno no setor elétrico?

De acordo com a previsão da Tempo OK, empresa especializada em consultoria meteorológica para o setor energético, o avanço gradual do El Niño aumentará as chuvas na região Sul do Brasil a partir de setembro, enquanto o interior do Norte e Nordeste pode enfrentar períodos mais secos, com maior risco de seca e incêndios. Embora as temperaturas tendam a ficar acima da média, o inverno ainda pode registrar massas de ar polar, causando quedas significativas de temperatura entre junho e julho, com geadas e até neve em áreas de maior altitude de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Maria Clara Sassaki, porta-voz da Tempo OK, afirmou que o fortalecimento gradual do El Niño nos próximos meses intensificará os contrastes climáticos entre as regiões do Brasil, exigindo vigilância de setores estratégicos como energia, agricultura e gestão de riscos.

O impacto na geração solar e eólica também merece atenção. O engenheiro Yanael Medeiros, da CS Consultoria, destacou que períodos mais secos e com menos nebulosidade podem favorecer a geração solar em algumas regiões, mas a redução das chuvas aumenta o acúmulo de poeira e partículas nos painéis fotovoltaicos, tornando a limpeza e a manutenção ainda mais importantes para preservar o desempenho das usinas. Além disso, períodos mais quentes podem reduzir a eficiência dos módulos e aumentar o estresse térmico em equipamentos como inversores e transformadores. Para a geração eólica, os efeitos do El Niño podem levar a variações na produção de energia conforme a região, exigindo maior previsão meteorológica e planejamento operacional.

No mercado de energia, o inverno tradicionalmente registra menor consumo em comparação com os meses mais quentes. A demanda reduzida, aliada a condições hidrológicas favoráveis e maior geração de energia renovável, deve ajudar a manter os preços da eletricidade baixos. Segundo projeções da Thymos Energia, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), usado para liquidar diferenças no mercado de curto prazo, deve permanecer abaixo de R$ 200/MWh durante todo o inverno. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) estima preços abaixo de R$ 205/MWh entre junho e agosto. Isso representa uma mudança em relação ao período desde março de 2025, quando o PLD ficou em média acima de R$ 200/MWh – em fevereiro deste ano, o PLD atingiu o teto regulatório de R$ 382/MWh.

As condições de chuva também contribuem para manter os preços em níveis baixos. De acordo com projeções da Nottus, o submercado Sudeste/Centro-Oeste, que concentra cerca de 70% da capacidade de armazenamento dos reservatórios de usinas hidrelétricas do país, deve registrar precipitações acima da média; na região Sul, as chuvas também devem se intensificar nos próximos meses, favorecendo a recuperação dos reservatórios. Já em Minas Gerais, Goiás e no interior do Nordeste, o período seco típico do inverno se consolidará gradualmente. Essas mudanças meteorológicas constituem uma base importante para avaliar os impactos do fenômeno El Niño na geração de energia e no comportamento do mercado elétrico brasileiro.

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