De acordo com pt.wedoany.com-O governo do Rio Grande do Sul lançou recentemente um plano de transição energética justa, com o objetivo de expandir as oportunidades de desenvolvimento econômico e aumentar a resiliência de 18 cidades carboníferas nas regiões da Campanha e do Baixo Jacuí. O plano foi elaborado por um consórcio formado pela WayCarbon e pelo Centro Brasil no Clima (CBC), sob encomenda da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (SEMA-RS).
Keyvan Macedo, diretor global de negócios da WayCarbon, afirmou que o projeto não se trata apenas de mudar a forma de produção de energia, mas de garantir que a transição ocorra de forma equilibrada, considerando os impactos sobre as pessoas, as comunidades e o desenvolvimento local. O plano reconhece que, no contexto do federalismo climático, apoiar a descarbonização econômica dessas regiões é um passo crucial para o estado. Atualmente, as cidades dessas áreas dependem diretamente da cadeia produtiva do carvão para gerar empregos e receitas fiscais. Por exemplo, em Candiota, 70% a 80% da receita municipal está relacionada a empresas de mineração e usinas termelétricas.

A pressão para acelerar a transição energética já é evidente. As duas usinas termelétricas a carvão em operação no estado foram responsáveis por cerca de 22% das emissões das termelétricas fósseis do Brasil em 2023, mas geraram apenas 12,6% da eletricidade total. O estudo busca responder como o estado pode apoiar as cidades na ampliação de oportunidades econômicas, num contexto em que a governança energética é majoritariamente centralizada no governo federal. William Wills, diretor técnico do Centro Brasil no Clima, destacou que a visão de longo prazo do plano é que, até 2050, as regiões da Campanha e do Baixo Jacuí sejam sustentadas por uma economia diversificada, proporcionando renda, trabalho digno e desenvolvimento regional alinhado às metas climáticas.
A proposta apresentada pelo consórcio adota a diversificação econômica como estratégia para aumentar a resiliência regional. O plano identifica as potencialidades produtivas locais, bem como oportunidades relacionadas à agroindústria, bioenergia, energias renováveis, inovação e novas cadeias produtivas. A estratégia foi desenvolvida com base em diagnósticos socioeconômicos, análises de cenários energéticos e um amplo processo de participação das comunidades locais, com mais de 300 participantes contribuindo por meio de audiências públicas, consultas e reuniões técnicas. As recomendações incluem medidas de preparação da força de trabalho, fortalecimento da economia local, recuperação de áreas impactadas pela mineração e mecanismos de apoio às cidades dependentes da atividade carbonífera durante o processo de transição. O plano também propõe um quadro de governança específico para supervisionar a implementação das ações e monitorar indicadores sociais, econômicos e ambientais nas próximas décadas.










