De acordo com pt.wedoany.com-A crise no setor de fertilizantes do Brasil atingiu seu ápice, e a indústria decidiu acionar o Ministério das Relações Exteriores (MRE) para uma busca emergencial por fornecedores de insumos agrícolas básicos em todo o mundo. A Associação Nacional para Difusão de Fertilizantes (Anda) e o Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert) emitiram um alerta ao Itamaraty, com a necessidade mais urgente concentrada na localização de fornecedores de países capazes de produzir fertilizantes fosfatados ou, pelo menos, suas matérias-primas básicas.

A solução precisa ser encontrada até agosto, quando terá início a safra 2026/2027. Enxofre e ácido sulfúrico são a base para a fabricação de fertilizantes, essenciais para manter a produtividade de culturas como soja, milho, algodão, café e cana-de-açúcar. O Brasil é um dos principais produtores de diversos alimentos e, simultaneamente, o maior importador mundial de fertilizantes, dependendo de importações para mais de dois terços do consumo doméstico de fosfato. Das 9,75 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados previstas para consumo este ano, 6,45 milhões de toneladas devem vir do exterior.
A maior preocupação no momento é o enxofre. A Anda e o Sinprifert informaram ao governo que o país precisa urgentemente obter 250 mil toneladas adicionais de enxofre por mês nos próximos meses, caso contrário, a produção nacional de fertilizantes entrará em colapso. O enxofre é usado para fabricar ácido sulfúrico, que por sua vez é a matéria-prima para a produção de fertilizantes fosfatados. O Brasil importou 2,3 milhões de toneladas de enxofre em 2025, dependendo quase inteiramente de compras externas. De acordo com o relatório apresentado ao Itamaraty, a escassez já causou uma queda na produção nacional de fertilizantes, com algumas unidades industriais de processamento de fosfato suspendendo suas operações.
No dia 12, o Itamaraty enviou um pedido às representações diplomáticas brasileiras em dezenas de países, alertando sobre o risco de desabastecimento e buscando apoio diplomático para convencer governos estrangeiros a autorizar a exportação emergencial de fertilizantes. O Ministério solicitou que as embaixadas e consulados apresentem informações até esta sexta-feira. Entre os países listados como potenciais fornecedores estão Estados Unidos, Canadá, Cazaquistão, Turcomenistão, Alemanha, Colômbia, Espanha, França, Japão, Polônia, Turquia e Venezuela.
A disparada histórica dos preços do enxofre explica a situação atual. Dados coletados pelo Itamaraty junto ao setor mostram que, de janeiro de 2024 a abril de 2026, o preço dessa matéria-prima aumentou 823%, enquanto o ácido sulfúrico, que depende dela, subiu 305% no mesmo período. A segunda maior preocupação é o ácido sulfúrico, com a indústria exigindo apoio para a compra emergencial mensal de 60 mil toneladas. Os fornecedores já identificados incluem Bélgica, Bulgária, Espanha, Finlândia, Chile e Peru. A terceira prioridade são os fertilizantes fosfatados prontos, com o setor agrícola tentando encontrar fornecedores capazes de fornecer 1,54 milhão de toneladas adicionais de fosfato. Os potenciais fornecedores incluem Alemanha, Egito, Espanha, Índia, Israel, Omã, Países Baixos e Tunísia.
As dificuldades na obtenção de fertilizantes são atribuídas, entre outros fatores, ao fechamento do Estreito de Ormuz e às restrições da China às exportações de ureia. Cerca de 15% das importações brasileiras de fertilizantes vêm do Oriente Médio, região afetada por conflitos. Irã, Catar, Arábia Saudita, Omã e Emirados Árabes Unidos responderam juntos por 36% das importações brasileiras de ureia em 2025. O nível de atenção internacional aos fertilizantes é tão alto que os Estados Unidos já incluíram fosfato e potássio em sua lista oficial de minerais críticos.
O Itamaraty afirmou que trata a questão dos fertilizantes como prioridade, tanto na agenda diplomática do ministro Mauro Vieira quanto no contato com o setor privado. O tema teve prioridade em visitas recentes, com o ministro discutindo o assunto com altas autoridades do Uzbequistão, Cazaquistão e China. O Itamaraty confirmou que a área de comércio exterior e as embaixadas brasileiras estão trabalhando para ajudar a mapear oportunidades no mercado global de fertilizantes, mantendo contato com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. A Anda informou que não comentará o assunto, enquanto o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Sinprifert não responderam até o momento da publicação deste artigo.
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