De acordo com pt.wedoany.com-A EXA, joint venture entre a holding de cibersegurança FS Security e a operadora de telecomunicações TIM, inaugurou um novo centro de pesquisa e desenvolvimento (P&D) em Parnaíba, no Piauí, chamado EXA Labs, com planos de investir R$ 25 milhões nos próximos quatro anos, focando no desenvolvimento de tecnologia de inteligência artificial para prevenção de fraudes.

A EXA foi fundada em 2022 e se estabeleceu em Parnaíba no mesmo ano. A cidade foi escolhida como sede do EXA Labs, e a empresa espera criar um "Porto Digital" local, inspirado no modelo de um dos maiores parques tecnológicos do Brasil, localizado principalmente no bairro histórico do Recife (Recife Antigo). O projeto foi oficialmente inaugurado na semana passada. A FS Security detém 75% das ações da EXA, e a TIM, os 25% restantes.
Alberto Leite, fundador e CEO da FS Security, afirmou que o Brasil já se tornou um polo de atividades fraudulentas e agora entrou em uma fase mais complexa, onde é difícil distinguir o verdadeiro do falso. Ele destacou que, desde a simulação de voz até a engenharia social reversa, diversas táticas são empregadas, seja por voz, vídeo, texto ou múltiplos canais de entrega, fortalecendo a captura de dados e contexto das vítimas e enriquecendo o arsenal dos cibercriminosos.
De acordo com dados da Serasa Experian, o Brasil registrou mais de 14 milhões de tentativas de fraude em 2025, um aumento de 28,6% em relação a 2024. A região Nordeste apresentou um crescimento de 32%. 42,5% dos golpes utilizaram tecnologia de inteligência artificial, e os deepfakes cresceram 830% em um ano.
A criação do EXA Labs ecoa uma iniciativa anterior da empresa. Há três anos, a EXA estabeleceu um laboratório de pesquisa em inteligência artificial em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Esse laboratório já gerou resultados, sendo o principal deles o EVA, um agente de prevenção a fraudes baseado em inteligência artificial e aprendizado de máquina, desenvolvido pela equipe da EXA em 2025 com a participação de alunos da PUC-Rio. Lançado no início deste ano, o EVA permite que os usuários consultem, via WhatsApp, se um QR code, link ou arquivo é falso, ou se uma senha foi vazada, com resposta em até dez segundos.
Além de fortalecer o portfólio da EXA, o projeto EVA foi um dos fatores que levaram a empresa a decidir expandir sua estrutura de P&D. Leite acredita que é necessário descentralizar a pesquisa e buscar novas culturas, pois os problemas de segurança no Nordeste são diferentes dos do Rio de Janeiro, e Parnaíba possui excelentes recursos universitários e nível de alunos. A região também oferece boas opções de fomento à pesquisa, por meio de instituições como o Banco do Nordeste, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A EXA planeja usar essas opções para financiar cerca de R$ 8 milhões dos R$ 25 milhões previstos para investimento no EXA Labs. Nos últimos três anos, a EXA já investiu R$ 9 milhões na área. Na expansão em Parnaíba, parte dos recursos já foi utilizada em instalações como o centro de monitoramento de fraudes em tempo real, alimentado por diversas fontes, incluindo eventos em redes sociais e dados coletados pela empresa na dark web. Leite afirmou que o centro exibe eventos em tempo real em um mapa, com filtros por tipo de ameaça, região, etc., com o objetivo de alcançar 100% do mapeamento de fraudes após a fase inicial.
A próxima fase de investimentos incluirá a expansão do banco de dados base que alimenta o centro de P&D e a atualização do EVA, como a identificação da origem da ameaça e as etapas que o usuário deve seguir ao sofrer um ataque. O projeto também tem a missão de formar profissionais especializados para a EXA. A inauguração do EXA Labs foi acompanhada pela assinatura de acordos de estágio com a Uninassau e o SENAI, e a empresa está em contato com instituições como a Universidade Federal do Piauí (UFPI), a Universidade Estadual do Piauí (UESPI), o Instituto Federal do Piauí (IFPI), a Unigrande e a Uninter.
Atualmente, a EXA conta com mais de 200 profissionais na cidade, sendo o maior empregador do setor no estado. Leite afirmou que, com esta expansão, a empresa planeja incentivar a vinda de outras empresas, transformando a região em um novo polo de tecnologia e inovação. As estatísticas da EXA mostram que cerca de 20 milhões de usuários já possuem uma de suas soluções de proteção digital. Com base nisso, a empresa projeta uma receita de aproximadamente R$ 500 milhões em 2026, um crescimento de 32% em relação a 2025. A empresa também tem planos de expansão em outras áreas de P&D, com foco em Israel, um centro global de cibersegurança, onde já havia negociações avançadas com uma universidade não revelada, mas que foram impactadas pela situação de guerra, e o reinício do diálogo depende de um acordo de paz para melhorar o cenário.
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