De acordo com pt.wedoany.com-A posição da Inteligência Artificial na estratégia empresarial está mudando, com o foco do debate passando do potencial tecnológico para escala, retorno sobre investimento, governança e transformação de modelos de negócio. Esta foi a principal conclusão do painel "Inteligência Artificial, Agentes, Produtividade e Governança: Após o Hype", realizado no Inovabra durante o Download Web Summit Rio 2026 (Rio de Janeiro).

Participaram do debate Leandro Angelo, sócio da CI&T; Juliano Kimura, diretor do Ecossistema AI Brasil; e Devanil Rueda, gerente de Inovação e Tecnologia da Claro. Os participantes apontaram que o mercado está passando por uma mudança narrativa significativa. A questão central para as empresas deixou de ser "o que a IA pode fazer" para "como transformar a tecnologia em ganhos reais de produtividade, eficiência e crescimento de receita". Rueda, da Claro, afirmou que o diálogo evoluiu de "o que pretendemos fazer com IA" para "o que já fizemos e o que queremos escalar".
Angelo acredita que a inteligência artificial generativa já superou a fase experimental e começa a desempenhar um papel estratégico na reestruturação organizacional. Ele mencionou que o crescimento dos investimentos globais indica uma busca urgente das empresas por aplicações práticas da tecnologia, com o foco deixando de ser a automação de tarefas isoladas para repensar processos inteiros, projetando-os de forma nativa em IA. Ele explicou que a primeira onda foi de eficiência operacional, e agora entramos na era da reinvenção, onde a pergunta se torna "como redesenhar processos para maximizar o valor da tecnologia". Os líderes empresariais enfrentam a pressão de comprovar o retorno financeiro dos investimentos em IA, o que exige a capacidade de medir o impacto em indicadores de negócio específicos.
O debate também focou na evolução dos agentes. Kimura descreveu que "agente é ação". Diferentemente dos copilotos, que atuam como assistentes, os agentes começam a executar tarefas de forma autônoma, interagir com sistemas e concluir fluxos de trabalho completos. Angelo apontou que a evolução dos agentes está relacionada ao aumento da confiança das organizações na tecnologia. À medida que as saídas dos modelos se tornam mais consistentes, mais etapas dos processos são automatizadas e o nível de autonomia dos sistemas aumenta. Ele também citou casos práticos, incluindo agentes que gerenciam jornadas completas de atendimento ao cliente.
Os participantes concordaram que o principal desafio atual das organizações é transformar provas de conceito em iniciativas escaláveis. Rueda destacou que grandes empresas precisam equilibrar a velocidade da inovação com as exigências de segurança, conformidade e governança. Angelo acredita que os principais obstáculos incluem a mudança cultural, a complexidade de escalar iniciativas em organizações tradicionais e a construção da infraestrutura tecnológica para suportar agentes, múltiplos modelos de IA e mecanismos de governança. Ele avaliou que a transformação trazida pela IA é mais profunda no aspecto humano.
A governança está ocupando uma posição central na estratégia de IA. As empresas precisam construir arquiteturas flexíveis para trocar tecnologias, controlar custos, rastrear resultados de aprendizado e garantir conformidade regulatória. Angelo acredita que a camada de governança que conecta diferentes modelos e agentes se tornará uma das principais vantagens competitivas, e os vencedores serão aqueles que conseguirem gerenciar melhor os resultados de aprendizado gerados pelo sistema. Kimura complementou que a proliferação de agentes ampliará a demanda por mecanismos de certificação, rastreabilidade e verificação de identidade, e que a confiança digital pode enfrentar uma crise no futuro.
Quando questionados sobre as prioridades de investimento para acelerar o processo de IA, os participantes focaram no desenvolvimento de talentos. Rueda defendeu que a alfabetização em IA deve começar pela liderança, com executivos precisando aprender a definir objetivos, estabelecer métricas e entender como a tecnologia cria valor. Kimura enfatizou a importância do aprendizado colaborativo e da construção de comunidades, argumentando que o desafio não é mais o acesso à tecnologia, mas sim aprender a usá-la estrategicamente.
O debate sugeriu que as empresas iniciem sua jornada de IA com projetos pequenos que gerem aprendizado rápido e resultados mensuráveis, sem perder de vista a visão estratégica de longo prazo. Rueda resumiu como "testar em pequena escala, pensar grande e evoluir continuamente". A mensagem final do debate é que a inteligência artificial entrou em fase de execução, e as organizações precisam demonstrar resultados, desenvolver capacidades internas, construir mecanismos de governança e transformar experimentos em vantagens competitivas sustentáveis. O sucesso dependerá não apenas da tecnologia, mas também da capacidade das empresas de aprender, se adaptar e remodelar seus próprios modelos de negócio.
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