Portugal licita 1,05 GW de projetos de armazenamento de energia em 14 de setembro
2026-07-01 14:59
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De acordo com pt.wedoany.com-O governo português divulgou a Estratégia Nacional para o Armazenamento de Eletricidade, que prevê atingir 3 GW de armazenamento em baterias e 3,9 GW de armazenamento por bombagem hidroelétrica até 2030, com metas elevadas para 4,5 GW e 5,26 GW, respetivamente, até 2040.

Na apresentação da estratégia, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, destacou que Portugal entrou na "idade adulta das energias renováveis", e o desafio já não é simplesmente aumentar a capacidade instalada de solar ou eólica, mas sim equipar o sistema com as infraestruturas necessárias para gerir estas fontes de energia. Atualmente, cerca de 80% da eletricidade em Portugal provém de renováveis, mas o governo considera que o sistema está próximo do seu limite de integração. A ministra explicou que o armazenamento ajuda a aproveitar a energia perdida em períodos de alta produção e baixa procura, libertando-a quando a produção renovável diminui e o consumo aumenta, contribuindo também para estabilizar os preços da eletricidade para famílias e indústrias.

Como primeiro passo, o governo convocou um leilão para 14 de setembro, com o objetivo de atribuir 750 MW de capacidade de armazenamento independente em baterias, acrescidos de 300 MW de capacidade residual associada a projetos de energias renováveis que incluam sistemas de armazenamento de energia. O leilão focar-se-á em nós estratégicos da rede, incluindo Rio Maior, Abrantes, Sines-Santo André, Alcochete-Palmela, Pegões-Divor, Estremoz ou Tavira. Paralelamente, o governo está a preparar novos leilões para projetos de bombagem hidroelétrica, que dependerão, no entanto, de autorização da Comissão Europeia em matéria de auxílios estatais.

A estratégia introduz ainda um mecanismo de retorno económico para as regiões onde estas instalações estão localizadas. Os municípios participarão permanentemente nas receitas geradas pelos projetos de armazenamento, recebendo 30% das receitas do Sistema Nacional de Energia provenientes dos leilões de armazenamento independente e até 70% das receitas de projetos associados à capacidade residual. Além disso, os promotores deverão aplicar 2,5% do rendimento líquido em medidas de retorno para as comunidades locais, enquanto os projetos que integrem soluções agrovoltaicas receberão uma bonificação de 20% no processo de licitação. O governo afirma que esta medida visa reforçar a aceitação social das novas infraestruturas energéticas e garantir que a transição energética traga benefícios diretos para os cidadãos.

A implantação do armazenamento faz parte de uma reforma mais ampla do sistema elétrico português. O novo quadro regulatório atualiza a legislação do setor, introduzindo tarifas fixas e contratos de fornecimento de eletricidade com duração mínima de um ano, reforçando a proteção dos consumidores vulneráveis durante crises energéticas, simplificando o desenvolvimento do autoconsumo e das comunidades de energia, e promovendo a celebração de contratos de compra de energia de longo prazo (PPA). Além disso, o governo português anunciou recentemente um mercado de capacidade direcionado ao armazenamento, à produção e à gestão da procura.

Para além desta estratégia energética, o governo português iniciou a elaboração da Estratégia Industrial Verde para 2040, com o objetivo de aproveitar as vantagens competitivas do país para atrair novos investimentos industriais relacionados com a transição energética. O plano identifica setores prioritários, incluindo armazenamento, baterias, gases renováveis, hidrogénio, eletrificação industrial, captura e utilização de carbono, mobilidade elétrica e descarbonização da indústria pesada.

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