De acordo com pt.wedoany.com-De acordo com um relatório de análise divulgado pela empresa global de pesquisa e consultoria Arizton, o mercado de investimento em data centers na África atingirá US$ 8,76 bilhões até 2031, um aumento de US$ 5,12 bilhões em relação aos US$ 3,64 bilhões acumulados em 2025. No mesmo período, a capacidade dos data centers deverá atingir 348 megawatts.

As razões pelas quais o continente africano se tornou um ponto quente para investimentos em data centers incluem a disponibilidade de energia renovável, a melhoria contínua da conectividade e a combinação de mercados digitais maduros e emergentes impulsionados pela demanda por serviços digitais e transformação.
África do Sul, Quênia, Nigéria e Egito atraíram a maior parte dos investimentos no passado, mas mercados emergentes como Marrocos e Tunísia estão se tornando cada vez mais populares entre os investidores. Para Marrocos e Tunísia, a proximidade geográfica com a Europa e os grandes investimentos em cabos submarinos atraem investidores. A conectividade de baixa latência fornecida por esses cabos submarinos os conecta à Europa e ao resto do mundo, levando os operadores a preferir estabelecer negócios em países africanos. Um investimento leva a outro, e logo os operadores de data centers entram no mercado, beneficiando tanto a si mesmos quanto a economia local. A prática das quatro maiores economias da África mostra que impulsionar a transformação digital pode atrair investimentos.
A energia continua sendo o principal obstáculo para o desenvolvimento de data centers no continente. A África enfrenta problemas de fornecimento de energia há muito tempo. De acordo com a Agência Internacional de Energia (International Energy Agency), o continente africano representa apenas 6% do uso global de energia e menos de 3% das emissões de CO2 relacionadas à energia, principalmente devido ao baixo consumo per capita, em grande parte porque 600 milhões de pessoas não têm acesso à eletricidade. No entanto, a África é um continente vasto, com enorme potencial para utilizar sua abundante energia solar, eólica e hídrica, que está esperando para ser desenvolvido.
A Teraco, empresa do grupo Digital Realty e operadora de data centers, assinou um acordo de fornecimento de energia eólica com a NOA em 2025, logo após o início da construção de sua própria usina solar fotovoltaica de 120 megawatts. No outro extremo do continente, o Egito está investindo pesadamente em energia renovável, com o objetivo de que 42% de sua eletricidade venha de fontes renováveis até 2030. Projetos de energia que dependem de fontes renováveis continuarão a atrair investimentos, mas a infraestrutura também precisa ser discutida, pois, em mercados maduros, as redes de transmissão são frequentemente obsoletas e incapazes de transportar a energia adicional para onde é necessária. Embora a situação esteja mudando, a legislação em muitos países africanos ainda é um obstáculo, levando os investidores a buscar outras regiões.
A conectividade continua sendo uma área de investimento próspera na África, especialmente no Egito. De acordo com a Arizton, o mercado egípcio já possui até 17 cabos submarinos em operação, com outros 6 em desenvolvimento. O Quênia e a África Ocidental também são mercados prósperos em conectividade, pois esses países reconhecem a importância de uma conectividade resiliente e redundante.
Embora a África tenha potencial para se tornar uma potência em infraestrutura digital, atualmente esse potencial ainda não se concretizou de forma significativa. Isso se deve não apenas às limitações energéticas, mas também à falta de legislação flexível sobre geração privada de energia, investimento estrangeiro e desenvolvimento de infraestrutura. Os dados da Arizton mostram um futuro promissor para o continente, mas se esse futuro será alcançado e se a África liderará a era digital que o resto do mundo está aproveitando depende de seus líderes.









