Anatel inicia ciclo de relatórios técnicos sobre infraestrutura de cabos submarinos

2026-07-03 09:56
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De acordo com pt.wedoany.com-A Comissão de Infraestrutura (C-Int) da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu incorporar o acompanhamento do Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT) como item permanente de suas reuniões ordinárias, decisão tomada durante a 16ª reunião da comissão, realizada em 1º de julho. A reunião também deu início ao ciclo de relatórios técnicos sobre infraestrutura de cabos submarinos.

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O primeiro relatório foi apresentado pela empresa de cabos submarinos EllaLink, cujo representante no Brasil, Marcio Lino, detalhou o trabalho da companhia na implantação e operação de sistemas internacionais de cabos submarinos. Esta iniciativa é um dos desdobramentos do Procedimento de Tomada de Subsídios nº 2/2026, especificamente voltado a este tema, e será estendida a outras empresas do setor. O presidente da C-Int, Alexandre Freire, afirmou que a aproximação com os operadores de cabos submarinos fortalece a capacidade regulatória, e que ouvir aqueles diretamente envolvidos na implantação e operação de infraestruturas críticas é essencial para identificar gargalos, antecipar desafios e construir soluções regulatórias que promovam inovação, segurança jurídica e concorrência. Ele destacou que ouvir as empresas ajuda a compreender as experiências práticas dos operadores e os impactos reais das normas, permitindo antecipar riscos, reduzir assimetrias de informação e aprimorar a formulação de regras que promovam segurança jurídica, concorrência e expansão da infraestrutura.

Durante a reunião, a Superintendência de Planejamento e Regulamentação (SPR) apresentou a atualização anual do PERT, documento utilizado para identificar lacunas de infraestrutura e orientar prioridades regulatórias. A principal mudança na edição de 2026 foi a adoção do conceito de conectividade universal e significativa, alinhado ao framework da União Internacional de Telecomunicações (UIT). Com isso, o diagnóstico deixou de considerar apenas a disponibilidade da rede e passou a incorporar indicadores relacionados à qualidade da conexão, acessibilidade econômica, disponibilidade de dispositivos, habilidades digitais e segurança da rede e dos usuários. O documento também reorganizou sua estrutura analítica, incluindo seções dedicadas a infraestrutura, qualidade, preços, dispositivos, habilidades digitais, segurança e grupos específicos, além de uma seção voltada à estruturação de projetos regulatórios.

Os dados apresentados à C-Int mostram que a infraestrutura de telecomunicações no Brasil continua a se expandir. De acordo com o PERT 2026, até abril deste ano, o Brasil registrou 274,5 milhões de acessos do Serviço Móvel Pessoal (SMP) e 56 milhões de acessos do Serviço de Comunicação Multimídia (SCM). A pesquisa também apontou que 4.741 municípios já possuem backhaul de fibra óptica, enquanto 85,1% das cidades contam com infraestrutura de transmissão baseada em fibra. Simultaneamente, o diagnóstico identificou desafios remanescentes na universalização da conectividade, registrando 652 municípios sem fibra óptica e sem compromisso de implantação, além de 30.031 localidades sem backhaul de fibra, concentradas principalmente em áreas remotas e de menor atratividade econômica. O relatório também destacou que a expansão da cobertura móvel começa a enfrentar desafios diferentes dos centros metropolitanos, concentrando-se mais em áreas rurais, aldeias indígenas e ao longo de rodovias.

O diagnóstico concluiu que, com a expansão da infraestrutura, parte das barreiras à inclusão digital se desloca para fatores relacionados ao uso efetivo da internet. Entre os aspectos destacados estão a capacidade de pagamento pelo serviço, a qualidade dos dispositivos utilizados pelos consumidores, as habilidades digitais e a segurança cibernética. O PERT identificou déficits elevados em habilidades relacionadas à segurança digital, criação de conteúdo e resolução de problemas, especialmente entre pessoas com menor nível educacional, nas classes sociais C, D e E, nas regiões Norte e Nordeste, em áreas rurais e entre idosos. Na área de segurança, o plano passou a incluir a proteção de infraestruturas críticas, a segurança de cabos submarinos e data centers, a certificação de produtos de telecomunicações e o combate ao uso de TV Boxes não certificadas como temas estratégicos.

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