Banco do Brasil oferece R$ 210 bilhões para a safra 2026/2027
2026-07-04 11:50
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De acordo com pt.wedoany.com-O Banco do Brasil anunciou, em 3 de julho, que disponibilizará R$ 210 bilhões para a safra 2026/2027, mantendo sua posição como o maior financiador do agronegócio brasileiro, em um momento em que o crédito rural enfrenta um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos.

Sob pressão, Banco do Brasil reduz apetite e anuncia R$ 210 bilhões para safra 2026/2027

Desse montante, R$ 170 bilhões serão destinados à agricultura empresarial, cerca de R$ 40 bilhões para pequenos e médios produtores, e outros R$ 25 bilhões para a "cadeia de valor do agronegócio". O anúncio ocorreu poucos dias após o governo federal divulgar o Plano Safra 2026/2027, em meio à deterioração contínua da qualidade do crédito rural. Um dia depois, o Banco Central informou que a taxa de inadimplência do crédito rural para pessoas físicas atingiu 7,6% em maio, ligeiramente acima dos meses anteriores.

O Plano Safra 2026/2027 do governo federal totaliza R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 97 bilhões para a agricultura familiar. Vale destacar que os recursos destinados a custeio e comercialização caíram 11,37% em valor nominal, para R$ 384,9 bilhões; já o crédito para investimento cresceu 38%. Esse descompasso entre o anúncio de recursos e o retorno dificultado pela inadimplência coloca o Banco do Brasil em uma posição central. No primeiro trimestre deste ano, a carteira de crédito rural do banco cresceu 3%, atingindo R$ 418,4 bilhões, enquanto a taxa de inadimplência acima de 90 dias subiu para 6,22%, superando 10% nas operações de custeio agrícola.

O valor anunciado pelo Banco do Brasil para esta safra é inferior aos R$ 230 bilhões do lançamento do plano agrícola anterior, mas o desembolso real na safra 2025/2026 foi de R$ 209 bilhões, incluindo R$ 36,6 bilhões em operações prorrogadas pela Medida Provisória MP 1314. O vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, lembrou em comunicado que, apesar dos desafios como inadimplência, juros elevados, renegociações e recuperações judiciais, o Brasil colheu as duas maiores safras da história em 2025 e 2026. Ele afirmou que o desafio do banco é "garantir que os recursos cheguem de forma adequada a todos os produtores".

Durante uma live organizada pelo portal AgroLink e pelo ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin, Bittencourt comentou que a redução das taxas de juros promovida pelo Plano Safra é positiva, embora a queda tenha sido menor que o esperado. Ele disse que a redução ficou abaixo das expectativas de todos, o que tem muito a ver com a taxa Selic. Há alguns meses, o mercado esperava que a taxa básica de juros fechasse o ano entre 12% e 12,5%, mas agora o Boletim Focus do Banco Central aponta para um nível próximo de 14%. Ele enfatizou que é mais importante acompanhar o volume efetivamente contratado nesta safra. Na safra anterior, foram anunciados R$ 593 bilhões, e a última pesquisa indica que o desembolso real ficou próximo de R$ 560 bilhões ou R$ 570 bilhões, abrangendo crédito rural tradicional, CPRs, recursos de LCA, poupança rural e outras fontes privadas.

Ao avaliar a situação atual do crédito rural, Bittencourt relacionou as dívidas ao ciclo de investimentos dos produtores durante a forte valorização das commodities agrícolas há alguns anos. Muitos produtores expandiram a área agrícola, assumiram novos custos ou direcionaram recursos para investimentos fora da atividade agrícola, reduzindo a participação do capital próprio no financiamento dos negócios. Um dos pontos que mais preocupa o banco atualmente são os contratos de arrendamento firmados naquele período. Parte das dívidas está intimamente ligada aos arrendamentos, contratos que não têm relação direta com as taxas de juros. Produtores que firmaram contratos a preços de 20 a 30 sacas de soja por hectare hoje têm dificuldade em equilibrar as contas. Ele afirmou que não funciona com a Selic a 14%, nem a 10%, e pagar tanto de arrendamento é desproporcional à atividade agrícola. O reequilíbrio financeiro do setor depende não apenas de programas de renegociação, mas também de propostas atualmente em tramitação no Congresso.

Apesar do cenário mais desafiador, Bittencourt destacou que a maioria dos produtores ainda opera normalmente, e o objetivo do Plano Safra é justamente manter o acesso ao crédito para aqueles que continuam com capacidade de pagamento. Ele estima que 85% a 90% dos produtores ainda produzem e pagam em dia, e também é preciso cuidar deles. A lógica adotada pelo governo no Plano Safra é garantir recursos para manter a atividade em funcionamento, enquanto continua discutindo soluções para as dívidas. Na visão do vice-presidente do Banco do Brasil, o atual ambiente de juros elevados também exige mais disciplina nas decisões de investimento. Quando as taxas de juros estão muito altas, o produtor precisa pensar bem, avaliar se o momento é adequado e se o investimento é urgente. No entanto, ele destacou duas linhas de financiamento consideradas estratégicas para estimular novos investimentos e independentes do Plano Safra: o financiamento da Finep para máquinas agrícolas e os recursos do Eco Invest, voltados principalmente para a recuperação de pastagens. A primeira envolve a linha Move Agricultura, para a qual o governo afirma que disponibilizará cerca de R$ 10 bilhões. Bittencourt estima que as taxas de juros de ambas as linhas ficarão abaixo de dois dígitos, com a taxa da Finep em cerca de 9,2%. Quanto ao Eco Invest, ele combina recursos do Tesouro com capital próprio das instituições financeiras. Bittencourt mencionou que o Banco do Brasil é a instituição com maior participação, e essa combinação pode proporcionar taxas de juros muito atrativas para essas operações, geralmente próximas a um dígito, ou seja, 9% ou 10%, dependendo da situação específica do produtor.

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