Operador Nacional do Sistema Elétrico do Brasil afirma que termelétricas podem ser acionadas em 2027, com possível redução de cortes em renováveis

2026-07-08 09:21
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De acordo com pt.wedoany.com-O Brasil enfrenta desafios no sistema elétrico devido ao fenômeno climático El Niño, que pode forçar o país a acionar usinas termelétricas em 2027, ao mesmo tempo que oferece mais espaço para a absorção de energia renovável. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) afirma que a solução será utilizar fontes renováveis, sem abrir mão de termelétricas a gás natural e carvão.

El Niño exigirá combinação de renováveis com termelétricas, podendo reduzir cortes na geração

O El Niño, que pode ter intensidade sem precedentes, agravará as secas no Norte e Nordeste do Brasil e reduzirá as chuvas no Sudeste, diminuindo a vazão dos rios e o nível dos reservatórios em 2027. Isso impactará diretamente a matriz energética brasileira, predominantemente hidrelétrica. As fontes renováveis, incluindo eólica e solar, que geram mais energia e a custos mais baixos durante períodos de seca, devem receber despacho prioritário, mas sua geração é altamente dependente das condições climáticas. As termelétricas, embora mais caras, podem ser acionadas conforme a demanda.

A última grande crise elétrica no Brasil ocorreu em 2021, também desencadeada por um forte El Niño, quando o governo contratou emergencialmente usinas termelétricas para atender à demanda. Segundo cientistas, o fenômeno climático deste ano pode se repetir e se tornar um dos mais intensos da história. Diferentemente de 2021, a matriz elétrica brasileira é hoje mais diversificada, principalmente devido ao crescimento da capacidade instalada de renováveis. De acordo com dados do ONS, a capacidade instalada solar passou de 3,1 GW (gigawatts) em 2021 para 19,5 GW em 2026, a eólica cresceu de 16 GW para 35,6 GW, e a micro e minigeração (composta principalmente por painéis solares residenciais) saltou de quase zero para 46,2 GW, totalizando um aumento de 82,2 GW, quadruplicando a capacidade de geração em relação a 2021. Em comparação, as principais usinas hidrelétricas do Norte do Brasil — Madeira, Tucuruí e Belo Monte — têm capacidade total de 24 GW, que pode ficar quase inoperante em um cenário de El Niño severo, sendo que parte dessa perda pode ser compensada por renováveis.

O ONS afirma que o fenômeno climático não representa risco para o Sistema Interligado Nacional (SIN). Elbia Gabnoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica), afirma que, se o El Niño reduzir novamente a geração hidrelétrica, a energia eólica deverá desempenhar um papel estratégico para garantir a segurança energética. A Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar) declarou em nota que, quando os reservatórios enfrentam redução de vazão, a geração solar tende a ter desempenho superior devido ao aumento da radiação solar e à menor cobertura de nuvens.

Xisto Vieira, diretor da Associação Brasileira De Geradoras Termelétricas (Abraget), afirma que, embora os preços sejam mais altos que os de renováveis e hidrelétricas, o custo operacional de acionar termelétricas é inferior ao de um possível racionamento, que elevaria drasticamente as tarifas de energia. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já orientou as usinas hidrelétricas a monitorar os reservatórios e adotar medidas para mitigar os impactos. A Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), que representa principalmente as hidrelétricas, aponta que, atualmente, os reservatórios do país estão em boas condições, mas o maior risco reside em 2027, pois a seca mais severa deste ano reduzirá as chuvas no próximo ciclo, ameaçando o armazenamento. A associação afirma que, mesmo com a diversificação da matriz e a possibilidade de atender picos de demanda com eólica e solar em determinados períodos, não se pode abrir mão do uso de termelétricas, um recurso mais caro.

Internamente, especialistas do setor avaliam que um dos impactos positivos do El Niño pode ser a redução dos cortes de geração em usinas renováveis no Nordeste do Brasil. Os cortes de geração tornaram-se um dos principais problemas do setor elétrico brasileiro, principalmente porque o crescimento da capacidade instalada de renováveis não foi acompanhado pela expansão da capacidade da rede, ocorrendo com mais frequência nos picos de geração eólica e solar. Se o El Niño reduzir a geração hidrelétrica em 2027, haverá mais espaço na rede para absorver a energia renovável, o que pode diminuir a necessidade de cortes.

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