Brasil cria grupo de trabalho sobre urânio para avaliar recursos em 90 dias

2026-07-09 10:23
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De acordo com pt.wedoany.com-O Conselho Nacional de Política Mineral do Brasil criou um novo grupo de trabalho sobre urânio, com o objetivo de avaliar, em 90 dias, o estado atual do mapeamento e conhecimento dos recursos e reservas de urânio no país, além de propor estratégias para expandir essas informações. O grupo também será responsável por determinar o potencial de produção mineral, abrangendo projetos em andamento e futuros.

Brasil cria novo grupo de trabalho sobre urânio

O grupo de trabalho opera sob supervisão do Ministério de Minas e Energia, com membros de diversos órgãos governamentais, da Marinha, do Ministério da Defesa, além da operadora nuclear Eletronuclear e das Indústrias Nucleares do Brasil (INB). O presidente da INB, Tomas Albuquerque, afirmou que a produção global atual de urânio é de 60 mil toneladas, enquanto o consumo chega a 65 mil toneladas, sendo 5 mil toneladas provenientes de reservas estratégicas de países e usinas nucleares. Com a construção de novas unidades, a demanda global aumentará ainda mais. Se o Brasil expandir sua capacidade de energia nuclear, precisará aumentar a produção de urânio, o que exigirá investimentos em larga escala.

A estatal INB lançou em 2024 o programa "Pró-Urânio", visando expandir e acelerar a exploração de novos depósitos. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) participará do desenvolvimento de modelos de cooperação com empresas de mineração. O banco já publicou em dezembro uma solicitação de informações voltada para consultorias interessadas.

De acordo com dados da World Nuclear Association, o Brasil, após intensa exploração nas décadas de 1970 e 1980, já identificou 210 mil toneladas de recursos de urânio. O país iniciou a mineração de urânio em 1982, mas a única mina em operação é a mina Lagoa Real/Caetité, da INB, com capacidade anual de 340 toneladas de urânio. Essa mina possui recursos conhecidos de 10 mil toneladas de urânio, com teor de 0,3% de urânio.

O Brasil está avançando com o Projeto Santa Quitéria, atualmente em processo de licenciamento ambiental preliminar junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), tendo sido aceito para revisão ambiental em março de 2022. O projeto será implementado na Fazenda Itataia, no município de Santa Quitéria. O depósito de Itataia é composto por 99,8% de fosfato e 0,2% de urânio, localizado no interior do Ceará, sendo a maior reserva de urânio descoberta no Brasil. A INB estima uma produção anual de aproximadamente 1,05 milhão de toneladas de fertilizantes fosfatados e 220 mil toneladas de fosfato dicálcico para ração animal, além de cerca de 2.300 toneladas de concentrado de urânio por ano, para abastecer as usinas nucleares Angra 1, Angra 2 e a futura Angra 3. Essa iniciativa também fortalece a estratégia nacional de autossuficiência na produção de combustível nuclear e o potencial de exportação. De acordo com dados do plano do projeto de 2020, o depósito de Itataia estima conter 142,2 mil toneladas de urânio, misturado com fosfato, com reservas lavráveis de 79,5 milhões de toneladas de minério, teor de 11% de P2O5 e 0,0998% de U3O8, equivalentes a cerca de 8,9 milhões de toneladas de P2O5 e 79,3 mil toneladas de U3O8.

A indústria nuclear brasileira tem uma longa história. Duas usinas de reator de água pressurizada — Angra 1 e Angra 2 — fornecem cerca de 3% da eletricidade do país. O Brasil planeja concluir a construção da terceira unidade de Angra e está explorando a adição de nova capacidade de geração, incluindo o desenvolvimento de um microrreator.

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