De acordo com pt.wedoany.com-O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão regulador antitruste do Brasil, aprovou sem restrições a aquisição dos ativos da Raízen na Argentina pelo grupo Mercuria. A transação será realizada por meio das empresas Latam Downstream Holdings e Silver Projects I, controladas pela Mercuria.

O objeto da transação inclui principalmente o controle de empresas como Raízen Argentina, Raízen Energina, Deheza e Estación Lima. Essas empresas atuam na refinação, distribuição e venda de combustíveis na Argentina e atualmente pertencem à Raízen Energia. A Mercuria pretende, com isso, expandir sua influência no mercado de petróleo e combustíveis da Argentina, fortalecendo suas operações físicas e presença comercial no país; para a Raízen, a venda dos ativos ajuda a reduzir o endividamento e permite maior foco em seus negócios principais.
Embora os ativos da transação estejam localizados na Argentina, a operação precisou ser submetida à aprovação do Cade, pois a receita dos grupos econômicos envolvidos ultrapassa o limite estabelecido pela Lei de Defesa da Concorrência. Após avaliação concorrencial, o órgão antitruste concluiu que a aquisição não terá impacto significativo no mercado brasileiro, uma vez que a Mercuria não adquire no Brasil produtos exportados pelas empresas argentinas. No Brasil, as atividades das empresas-alvo são muito pequenas, limitando-se à exportação de nafta e lubrificantes, com receita anual inferior a 75 milhões de reais.
A Mercuria é uma das principais traders globais de energia e commodities, com atuação em petróleo, derivados, gás natural, eletricidade, biocombustíveis e créditos de carbono. No Brasil, seus negócios concentram-se principalmente no comércio de combustíveis, créditos de carbono e na venda por atacado de derivados de petróleo por meio da Flamma Óleos & Derivados.
Resolver as dificuldades financeiras da Raízen é o contexto setorial mais profundo por trás desta transação. Sua acionista, Cosan, está reduzindo sua alavancagem por meio de negociações de aumento de capital e priorizando o fortalecimento de sua estrutura de capital. O CEO da Cosan, Marcelo Martins, afirmou em teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026 que a empresa tem interesse em injetar capital na Raízen, mas o valor não excederá uma parte dos recursos obtidos com o aumento de capital.
Nas discussões entre os acionistas, várias alternativas foram exploradas, mas não houve consenso sobre como a Cosan participaria da recapitalização da joint venture. Martins revelou que a avaliação interna da Cosan concluiu que, sem uma conversão substancial de dívida em capital, apenas a injeção de recursos não seria suficiente para melhorar fundamentalmente a situação financeira da Raízen. As discussões incluíram também a possibilidade de desmembrar parte dos negócios da Raízen ou vender a participação em um deles. Devido aos termos acordados com os credores, a Cosan acabou não participando do plano de estrutura de capital divulgado publicamente.
Em março deste ano, a Raízen anunciou que estava analisando opções para melhorar sua situação financeira, incluindo uma injeção de capital de 4 bilhões de reais. Desse total, o grupo Shell planeja contribuir com 3,5 bilhões de reais, e um veículo de investimento controlado pela Aguassanta Investimentos, de propriedade da família Rubens Ometo, acionista controlador da Cosan, contribuirá com 500 milhões de reais. A Cosan Holding, por sua vez, não anunciou qualquer injeção de capital na Raízen.






