De acordo com pt.wedoany.com-A Câmara Municipal do Porto, em Portugal, anunciou a aceleração da transição para a mobilidade urbana, antecipando a implementação de algumas medidas do novo Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS), especialmente o projeto de expansão da rede de ciclovias, com o objetivo de reforçar alternativas ao automóvel, priorizando o transporte público, a bicicleta e a pé.

O presidente da Câmara, Pedro Duarte, classificou este momento como "um ponto de viragem no paradigma da mobilidade urbana" durante a apresentação do plano, afirmando que o Porto deve seguir o exemplo das cidades europeias que investem em soluções mais sustentáveis e centradas nas pessoas. O autarca sublinhou que todas as medidas que possam ser antecipadas serão implementadas, especialmente a rede de ciclovias, cujo calendário previsto no PMUS será ajustado sempre que as condições o permitirem.
Entre as medidas do plano está a criação de um sistema público de bicicletas partilhadas, com 56 pontos já identificados como futuras estações ao longo da rede de ciclovias. O plano inclui ainda a expansão e requalificação das ciclovias existentes, o aumento de parques de estacionamento para bicicletas, ações de plantação de árvores, a criação de "comboios de bicicletas" para deslocações em grupo e campanhas de sensibilização para a utilização de modos de transporte ativos. A curto prazo (definido pela Câmara como dois anos), estão previstas intervenções na ciclovia da Rua da Constituição, na Avenida da França e no polo universitário da Asprela, bem como a construção de uma ciclovia que ligue o centro à Asprela. Corredores estruturais como a Avenida da Boavista, a Avenida Gustavo Eiffel e o eixo Campo Alegre–Diogo Botelho–Nun’Álvares continuam previstos para fases posteriores.
A visão do PMUS é mais abrangente do que a mobilidade ciclável. O documento prevê a reorganização da operação da STCP (empresa de transportes públicos do Porto), com aumento de corredores BUS, prioridade semafórica para autocarros, redução dos tempos de viagem e novas ligações estruturais, incluindo a expansão do Metro do Porto, o desenvolvimento do Ramal da Alfândega e uma futura ligação fluvial de transporte público entre a Afurada e a Alfândega. Outra prioridade é a requalificação do espaço público, incluindo a expansão da Rede 30, novas zonas de acesso condicionado a veículos motorizados, a progressiva pedestrianização de áreas centrais, a melhoria das condições de acesso às escolas, a criação de mais espaços verdes e a requalificação de vias principais como a Circunvalação e a VCI (Via de Cintura Interna), para reduzir o efeito de barreira destas infraestruturas.
Segundo Pedro Duarte, esta mudança será gradual e acompanhada por medidas de incentivo ao uso do transporte público, como a gratuitidade já aplicada a determinados utilizadores. O autarca reconheceu que poderá haver resistência à mudança, mas garantiu que a Câmara privilegiará uma abordagem pedagógica, evitando medidas radicais, e introduzirá progressivamente restrições ao uso do automóvel, especialmente no estacionamento. O vereador da Mobilidade, Hugo Beirão Rodrigues, sublinhou que o PMUS é um documento estratégico e dinâmico, que evoluirá com a participação da cidade. O plano entrará em discussão pública em setembro, sendo posteriormente submetido à apreciação do executivo municipal e da Assembleia Municipal do Porto.










