De acordo com pt.wedoany.com-O Aeroporto Internacional de Bangalore (Bangalore International Airport, BIAL), na Índia, em parceria com a consultoria de engenharia Walter P Moore, desenvolveu um sistema de captação de água da chuva "water positive" (positivo em água). O sistema coleta e reutiliza o escoamento pluvial das vastas superfícies impermeáveis do aeroporto, reduzindo a dependência de uma única fonte municipal de água e, ao mesmo tempo, apoiando a recarga das águas subterrâneas na região circundante.
Os aeroportos são um dos sistemas de infraestrutura que mais consomem água, necessitando de grandes volumes para serviços aos passageiros, refrigeração, paisagismo e combate a incêndios. Bangalore está localizada em uma das regiões metropolitanas de crescimento mais rápido da Índia, e o aumento da demanda por água, juntamente com a crescente escassez hídrica regional, levou o BIAL a buscar uma estratégia hídrica mais resiliente. As pistas, pistas de táxi e pátios formam enormes superfícies impermeáveis que geram um escoamento significativo durante eventos de chuva. A equipe de projeto auxiliou na concepção de um sistema coordenado, incluindo bacias de retenção, valas biológicas e tanques subterrâneos de armazenamento, integrando o escoamento ao abastecimento de água operacional do aeroporto, aliviando assim a pressão sobre a fonte municipal, apoiando a recarga de aquíferos e melhorando o gerenciamento local de águas pluviais.
O processo de projeto começou com uma avaliação detalhada de várias bacias de drenagem do aeroporto para entender como coletar, armazenar e reutilizar a água em todo o local. A equipe utilizou dados históricos de precipitação e modelos hidrológicos para estimar o potencial de captação de água da chuva em condições de seca, média e umidade, ajudando a otimizar o dimensionamento e o desempenho do sistema. Para lidar com incertezas futuras, também foram aplicadas projeções como o SSP5-8.5 (um cenário climático de altas emissões), calculando fatores de mudança climática para tempestades de projeto específicas, a fim de avaliar a variabilidade de longo prazo e os riscos de abastecimento de água. Essas análises, em conjunto, fundamentaram a estratégia de gerenciamento de águas pluviais, direcionando o escoamento para sistemas de armazenamento e recarga, enquanto descarregavam com segurança o excesso de fluxo. O sistema final foi projetado para se adaptar tanto às condições atuais quanto às crescentes pressões climáticas.
Nas principais decisões de projeto, a simplicidade e a eficiência foram os princípios orientadores. As bacias de retenção foram conectadas por gravidade, reduzindo a dependência de bombas e controles mecânicos, diminuindo as necessidades de energia e a complexidade operacional. A capacidade de armazenamento foi ainda mais aumentada com o uso de vertedouros de tubulação ascendente (riser weirs), permitindo que as bacias desempenhassem múltiplas funções sem expandir sua área. Essas estratégias permitiram a utilização dinâmica do armazenamento disponível, mantendo a confiabilidade operacional, atendendo às necessidades diárias de água e aumentando a resiliência de longo prazo.
Atualmente, o BIAL atende à maior parte de sua demanda de água por meio da água da chuva coletada e das águas subterrâneas recarregadas, reduzindo significativamente a dependência do abastecimento municipal. O sistema reduziu os custos operacionais, aumentou a segurança hídrica durante períodos de seca e contribuiu para elevar o nível do lençol freático na região circundante, beneficiando as comunidades próximas. A parceria entre o BIAL e a Walter P Moore demonstra que grandes aeroportos podem ser transformados em sistemas "water positive" por meio de planejamento estratégico, inovação em engenharia e design adaptativo ao clima. Com base no gerenciamento, o projeto equilibra as necessidades operacionais com a saúde do ecossistema, estabelecendo um padrão de resiliência hídrica para futuros projetos em todo o mundo.










