De acordo com pt.wedoany.com-A Edge planeja investir cerca de R$ 2 bilhões no fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) para clientes industriais por meio do transporte rodoviário, a fim de contornar as limitações da baixa cobertura da rede de gasodutos no Brasil. A empresa, subsidiária da Compass, do grupo Cosan, é pioneira no mercado livre de GNL do país, que foi lançado há apenas dois anos. A Edge foi a primeira operadora, e o primeiro contrato foi assinado em julho de 2024.

A maior parte desse investimento — cerca de R$ 1 bilhão — será destinada à construção do Terminal de Regaseificação de GNL de São Paulo (TRSP), uma embarcação de 294 metros de comprimento atracada no Porto de Santos. O produto é transportado por barcaças, transferido para caminhões e, em seguida, entregue aos clientes finais. O gás é armazenado a 163 graus Celsius negativos, com volume reduzido em aproximadamente 600 vezes. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou esse modelo operacional em janeiro deste ano.
A Edge atualmente atende 70 clientes em 11 estados, abrangendo oito setores industriais, incluindo serviços para a Vale e a Saint-Gobain. Por meio do transporte rodoviário, o produto pode partir de Santos e cobrir uma área de raio de 1.200 km, alcançando o sul da Bahia, partes do Paraná e Santa Catarina, a região Centro-Oeste e todo o Sudeste.
De acordo com dados da Associação Brasileira das Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), a rede de distribuição do Brasil atualmente tem apenas cerca de 47 mil km de extensão, dos quais 76% (36,1 mil km) estão na região Sudeste. As ramificações que chegam às empresas somam apenas 9.400 km, e apenas 5% do mercado brasileiro tem acesso a gasodutos. Atualmente, o consumo industrial no mercado livre de gás natural é de 15 milhões de metros cúbicos por dia. Em comparação, os Estados Unidos possuem 480 mil km de gasodutos. O CEO da Edge, Demétrio Magalhães, afirmou em entrevista que a operação das rotas de transporte rodoviário pode servir como um parâmetro de alta demanda, incentivando as distribuidoras a expandir os investimentos em infraestrutura.
Em julho deste ano, a empresa enviou 500 cargas para a LD Celulose, no Triângulo Mineiro, em seis meses, transportando 16 milhões de metros cúbicos de GNL. Além disso, a Edge iniciou a operação da usina de purificação de biometano Onebio em Paulínia, interior de São Paulo. A usina está em fase de aumento de capacidade e já recebeu R$ 450 milhões em investimentos, a maior parte proveniente do Fundo Clima do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Onebio é uma joint venture entre a Edge (com 51% de participação) e a Orizon (com 49%).
A Edge é subsidiária da Compass, que também controla a Comgás e a Commit Gás. Em 11 de maio deste ano, a Compass abriu seu capital na Bolsa de Valores do Brasil (B3), captando R$ 3,2 bilhões. O grupo Cosan detém uma participação consolidada de 76,18%. Após a abertura de capital, cinco bancos de investimento (BTG Pactual, Citibank, Itaú BBA, Bradesco BBI e JPMorgan) iniciaram a cobertura das ações da Compass, com recomendação de compra e previsão de alta de até 49% no preço das ações.
O Citibank, em um relatório, classificou a precificação da Edge pelo mercado como um "erro", afirmando que seu volume de negociação pode crescer de 6 milhões de metros cúbicos por dia para 22 milhões de metros cúbicos por dia até 2030. No primeiro trimestre, o Ebitda da Edge atingiu R$ 187 milhões, um aumento de 36% em relação ao ano anterior, impulsionado pela negociação de 416 milhões de metros cúbicos de gás natural. A empresa atualmente recebe gás natural da Argentina, Bolívia e dos campos do pré-sal brasileiro. Desde a abertura de capital, as ações da Compass acumulam queda de 7,9% na B3, e o valor de mercado da controladora é de R$ 18 bilhões.










