Produção de petróleo da Guiana ultrapassará 1 milhão de barris por dia, com previsão de atingir 1,9 milhão em 2030
2026-07-31 17:27
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De acordo com pt.wedoany.com-A expansão da indústria petrolífera da Guiana, país da América do Sul, superou as expectativas. Esta antiga colônia britânica, com cerca de 1 milhão de habitantes, produziu seu primeiro petróleo quatro anos após a descoberta inicial e, atualmente, com produção próxima de 1 milhão de barris por dia, já consolidou sua posição como um dos principais produtores de petróleo da América do Sul, tornando-se o terceiro maior produtor da região. A rápida expansão da indústria petrolífera offshore da Guiana reforçará a segurança energética das Américas num momento crucial, em que o agravamento das tensões no Oriente Médio afeta a oferta global.

Dados oficiais do governo mostram que, no final de maio de 2026, a Guiana extraía 888 mil barris de petróleo bruto por dia, uma queda de 4% em relação aos 924 mil barris diários do início do mês. Atualmente, quatro unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência (Floating Production, Storage, and Offloading, FPSO) operam no mar da Guiana, e uma quinta FPSO, chamada Errea Wittu, deverá entrar em operação quando o projeto Uaru for iniciado em 2026. Quando o projeto Uaru, no qual a ExxonMobil investiu US$ 12,7 bilhões, atingir sua capacidade total, adicionará 250 mil barris por dia à produção da Guiana, elevando a produção diária para além de 1 milhão de barris.

Isso fará com que a Guiana ultrapasse a Venezuela, tornando-se o segundo maior produtor de petróleo da América do Sul, atrás apenas do Brasil. Embora Caracas tenha ampliado a produção desde janeiro de 2026, enfrenta limitações devido à necessidade de reconstruir sua infraestrutura petrolífera severamente corroída, o que exige centenas de bilhões de dólares e pelo menos uma década. No início de 2026, a intervenção de Washington na situação venezuelana eliminou um dos principais fatores que ameaçavam o boom petrolífero da Guiana. O presidente Nicolás Maduro ameaçou durante anos anexar a região de Essequibo, rica em minerais, uma área do tamanho do estado americano da Geórgia, que corresponde a cerca de dois terços do território guianense. As águas da área em disputa incluem o Bloco Stabroek, de 6,6 milhões de acres, operado pela ExxonMobil, que detém reservas estimadas em 11 bilhões de barris de petróleo e é o único campo em operação na Guiana.

Além de Uaru, a ExxonMobil está desenvolvendo outros três projetos no Bloco Stabroek. O primeiro a ser concluído é a instalação Whiptail, com investimento de US$ 12,5 bilhões, o sexto projeto da ExxonMobil na Guiana, com previsão de início de produção no final de 2027, extraindo petróleo de 48 poços de produção e injeção através da FPSO Jaguar, com capacidade diária de 250 mil barris. Após Whiptail, vem o projeto Hammerhead, com investimento de US$ 6,8 bilhões, com capacidade diária de 150 mil barris, provenientes de 18 poços de produção e injeção, com previsão de início de operações em 2029. O oitavo projeto da ExxonMobil no mar da Guiana é o desenvolvimento Longtail, cuja decisão final de investimento (Final Investment Decision, FID), de US$ 12,5 bilhões, deverá ser tomada no final de 2026 ou início de 2027. A capacidade nominal do Longtail é de 1,2 bilhão de pés cúbicos de gás natural e 250 mil barris de condensado por dia, com início de operações previsto para 2030, marcando a decisão estratégica da ExxonMobil de começar a extrair gás natural no mar da Guiana.

Esses projetos indicam que a produção petrolífera da Guiana se expandirá rapidamente. Estima-se que, até 2030, este pequeno país sul-americano produzirá até 1,9 milhão de barris de petróleo bruto por dia (incluindo condensado), consolidando sua posição como o segundo maior produtor de petróleo da América do Sul (atrás do Brasil), a menos que a Venezuela consiga aumentar significativamente sua produção nesse período. O grande aumento da produção de petróleo e gás ajudará a garantir o fornecimento de energia nas Américas. Interrupções no transporte através do Estreito de Ormuz representam riscos para países da região, como Colômbia e Peru, que dependem cada vez mais de importações de combustíveis e outros hidrocarbonetos. O agravamento das tensões no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz aumentaram a demanda de países asiáticos e europeus por petróleo que não passe por esse gargalo crítico. A demanda pelo petróleo da Guiana está crescendo cada vez mais, assim como no Brasil vizinho, que atualmente envia a maior parte de suas exportações de petróleo para a China.

Os maiores compradores do petróleo bruto da Guiana são Estados Unidos, Países Baixos, Itália e Panamá. Desde 2020, os embarques de petróleo da Guiana para os Estados Unidos vêm aumentando de forma constante. Segundo dados da Administração de Informação de Energia dos EUA (U.S. Energy Information Administration, EIA), em abril de 2026, os Estados Unidos importaram, em média, 261 mil barris de petróleo bruto por dia da Guiana, um número 51% superior ao do mesmo mês de dois anos antes e quase sete vezes maior que os 38 mil barris diários importados da Guiana em abril de 2022, embora isso represente apenas um trigésimo dos 7,9 milhões de barris importados diariamente no mesmo período. Com a expansão da produção, espera-se que o volume de petróleo bruto importado da Guiana cresça.

Importações

O enorme boom petrolífero da Guiana ainda está em estágio inicial de desenvolvimento e está reescrevendo o mapa energético global. Juntamente com Brasil e Argentina, esta antiga colônia britânica está liderando um grande aumento na produção de petróleo fora da OPEP (OPEC). Ao contrário de muitos países produtores da OPEP, a Guiana e outros produtores sul-americanos não dependem do Estreito de Ormuz ou das rotas do Mar Vermelho para transportar petróleo aos principais mercados de exportação, evitando que guerras, terrorismo ou outros eventos geopolíticos afetem o transporte de petróleo.

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