De acordo com pt.wedoany.com-A fazenda da família Bass, em Homestead, na Flórida (EUA), plantou os primeiros 100 pés de achachairu há mais de dez anos e, agora, está levando ao consumidor essa fruta tropical quase inexistente no mercado americano. A família planeja abrir o mercado norte-americano para essa fruta originária da Bolívia por duas frentes: fruta fresca e produtos processados.
O achachairu (Garcinia humilis), escrito achachairú no idioma guarani, significa "beijo de mel". Com aparência semelhante à da lima, sua casca é laranja-escura, e a polpa é doce e aromática, com um toque de acidez refrescante. Fora da Bolívia, seu país de origem, a fruta quase não é cultivada comercialmente, e o ciclo de crescimento da árvore é longo — o produtor pode levar quase uma década para obter uma produção significativa. Para a maioria dos agricultores, essa espera é suficiente para desistir, mas a família Bass encara esse ciclo como o ponto de partida para uma diferenciação competitiva.

A base agrícola da família Bass era originalmente o abacate. A fazenda em Homestead é certificada como orgânica desde 2006, até que a murcha-do-louro (laurel wilt) devastou o sul da Flórida, matando milhões de árvores e reduzindo a produção da família em cerca de 40% a 60% em poucos anos. Em busca de uma cultura alternativa, Murray Bass, por intermédio de Eric Tietig, do Pine Island Nursery, introduziu essa fruta boliviana que já demonstrava potencial na Austrália.
Atualmente, a Bass Regenerative Farms possui mais de 2.000 pés de achachairu e cultiva 16 espécies tropicais no total, incluindo graviola, sapoti Magana (mamey Magana), sapoti Key West (mamey Key West), mamão e pitaia (pitahaya).

O apelo comercial do achachairu vai além do sabor. Diferentemente de muitas frutas tropicais, ele amadurece na árvore, e não após a colheita, e pode ser armazenado por três a quatro semanas sem refrigeração, sendo adequado para vendas diretas devido à resistência ao transporte. Além disso, a fruta é rica em vitamina C e antioxidantes. Segundo a empresa, a medicina popular boliviana aplica a casca sobre a pele há tempos para auxiliar no tratamento de diversos problemas cutâneos, e pesquisas estão em andamento para informar os consumidores sobre outros possíveis benefícios de diferentes partes da fruta.
A família Bass não seguiu os canais tradicionais de atacado, mas apostou em um modelo de venda direta com colheita sob encomenda e envio em até 24 horas. Segundo o diretor-geral da empresa, Aaron Bass, os frutos são colhidos e colocados em caixas acolchoadas para envio imediato, chegando ao consumidor em geral em dois ou três dias. Encurtar a cadeia de suprimentos reduz o tempo de permanência do produto em armazéns e centros de distribuição, ao mesmo tempo que permite ao produtor reter mais valor. Aaron também mencionou que as terras agrícolas de Homestead estão sendo gradualmente substituídas por empreendimentos imobiliários, e a proteção das terras agrícolas é uma importante motivação para esse modelo.
A operação da empresa também incorpora princípios de agricultura regenerativa, sem depender de fertilizantes sintéticos e pesticidas, priorizando a biologia do solo, a biodiversidade e os processos ecológicos naturais. A família Bass afirma que isso resultou em redução dos custos de produção e aumento da produtividade por hectare. A superfície dos frutos pode apresentar pequenas imperfeições, vistas como resultado natural do sistema de produção sustentável, e a estratégia de marketing da empresa enfatiza a origem, o frescor e o método de cultivo, em vez de uma aparência impecável.

Além da fruta fresca, a família Bass já desenvolveu linhas derivadas, como fruta liofilizada, pó da casca, bebidas infusionadas, mel produzido na própria fazenda e produtos congelados. O picolé de achachairu, lançado em parceria com a empresa floridiana Hyppo Gourmet Ice Pops, é um dos primeiros produtos a chegar ao mercado. A empresa planeja construir sua própria unidade de processamento para transformar frutos de aparência menos atraente das diversas culturas tropicais em produtos de alto valor agregado, reduzindo o desperdício.











