De acordo com pt.wedoany.com-O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na quinta-feira (12) um decreto que estabelece regras para o mercado de Combustível Sustentável de Aviação (SAF, na sigla em inglês). O Decreto nº 13.094/2026 determina que as companhias aéreas domésticas comecem a usar SAF a partir de 2027, com percentual inicial de 1%, e que até 2037 pelo menos 10% do consumo seja proveniente desse combustível. O decreto foi publicado no Diário Oficial da União na sexta-feira (13).

Diferentemente das regras de mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel, a exigência do SAF não é medida por volume, mas sim pelo efeito real de descarbonização proporcionado pelo produto. O decreto também estabelece regras para a venda e mistura dos combustíveis fósseis atualmente utilizados pelas companhias aéreas. O secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia (MME), Renato Dutra, afirmou que o cumprimento da meta pelos operadores aéreos será de forma agregada, e não por voo individual. As companhias aéreas, por sua vez, consideram que a medida gerará custos que serão repassados ao consumidor final, refletindo-se no preço das passagens; o combustível representa, em média, cerca de 40% dos custos das empresas. O SAF já possui regras específicas de implementação em voos internacionais, servindo às metas de descarbonização do setor.
O decreto estabelece o sistema "Book & Claim" para o SAF, ou seja, a reserva e reivindicação de certificados de sustentabilidade. Esse sistema separa o combustível físico dos atributos ambientais, permitindo que empresas e companhias aéreas em todo o mundo comprem créditos de redução de carbono correspondentes ao SAF, mesmo quando abastecem com querosene comum.
Dutra afirmou que o decreto define a forma de comercialização do SAF, o funcionamento dos certificados de sustentabilidade e a aplicação do Book & Claim, estabelecendo regras para que os operadores cumpram as exigências obrigatórias em voos domésticos, além de envolver a integração com o Corsia (mecanismo global de redução de carbono), conferindo substância às conclusões do comitê do SAF e da própria lei no âmbito do programa "Combustível do Futuro".
Sobre a não definição de um percentual específico de combustível a ser incorporado às aeronaves, Dutra disse que a medida visa incentivar a competição entre diferentes métodos de produção de SAF. Ele citou como exemplo que a produção de SAF pela rota Hefa, a partir de certas oleaginosas, pode reduzir emissões em "X" porcento; já a rota ATJ, que utiliza etanol ou outros álcoois, tem eficiência de redução muito maior. Para atingir o mesmo objetivo, o volume de combustível necessário na primeira rota seria muito superior ao da segunda. Ele fez essas declarações a jornalistas em Brasília, no encerramento da 7ª Semana do Biodiesel, poucas horas antes da assinatura do decreto.
O diretor da Petrobras também afirmou que o Book & Claim pode impulsionar o desenvolvimento da indústria local de SAF, permitindo que companhias aéreas estrangeiras comprem o combustível sem a necessidade de transportá-lo fisicamente para o exterior. Dutra resumiu que esse mecanismo oferece as condições necessárias para consolidar a indústria de SAF no país e permitir que ela aproveite as oportunidades globais, referindo-se à venda ou utilização separada dos créditos.
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) manifestou-se em nota exigindo que os incentivos econômicos sejam direcionados não apenas à produção, mas também ao uso do SAF, e que a implementação seja acompanhada de "neutralidade de custos". A associação afirmou que o Brasil pode se tornar um dos principais fornecedores globais do produto no futuro e defendeu a manutenção da diversidade de rotas tecnológicas. A Abear propôs que, na fase inicial da transição, sejam oferecidos incentivos fiscais e financeiros para estimular pesquisa e produção, seguindo rigorosos padrões socioambientais, evitando impactos negativos sobre recursos hídricos e biodiversidade. A associação lembrou que a aviação representa apenas 2% das emissões globais de gases de efeito estufa e já avança na transição energética por meio de investimentos em aeronaves, rotas e operações mais eficientes, mas que o uso em larga escala do SAF só é viável com neutralidade de custos — realidade que, para um setor em que o combustível representa cerca de 40% dos gastos totais, ainda não existe.





















