Expansão do etanol de grãos no Brasil: 27 novos projetos em 2026, processamento anual de cerca de 20,9 milhões de toneladas

2026-08-28 13:59
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De acordo com pt.wedoany.com-A indústria brasileira de etanol de grãos está se expandindo das tradicionais regiões produtoras de milho para novas fronteiras agrícolas, aproximando as usinas de áreas com maior potencial de aumento da produção de grãos e abrindo espaço para matérias-primas alternativas, como o sorgo. Segundo estatísticas do setor, o Brasil conta atualmente com 29 usinas de etanol de milho em operação, com capacidade anual de processamento de cerca de 20,9 milhões de toneladas de milho e produção anual de aproximadamente 10,6 bilhões de litros de etanol. Uma pesquisa setorial de 2026 indica que há outros 27 novos projetos em fase de desenvolvimento nos próximos anos.

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A ascensão do etanol de milho decorre da necessidade de reduzir o impacto da logística sobre os preços dos grãos. O engenheiro agrônomo Enilson Nogueira, consultor da Céleres, empresa de inteligência de mercado, explica que o etanol de milho surgiu como uma estratégia de valorização do grão local — transformando o cereal em etanol no próprio local, em vez de exportá-lo diretamente, para fortalecer a cadeia produtiva interna e criar novas oportunidades econômicas na região. Esse modelo ganhou impulso inicialmente em Campo Novo do Parecis, no interior do Mato Grosso, e depois se expandiu ao longo da rodovia BR-163, região que concentra algumas das maiores unidades de produção de etanol de milho do Brasil. A instalação das usinas permitiu que parte do excedente do milho safrinha fosse convertido em combustível, reduzindo a necessidade de transportar grandes volumes de grãos para outros mercados.

A proximidade com os centros consumidores também representa uma vantagem competitiva. As regiões Centro-Oeste e Centro-Norte, que antes dependiam do etanol fornecido por estados como São Paulo, Goiás e Minas Gerais, agora têm acesso a fontes mais próximas. Nogueira ressalta que o aumento da eficiência industrial fortaleceu ainda mais a competitividade, e o etanol produzido no Mato Grosso já chega ao mercado paulista, competindo diretamente com o etanol de cana-de-açúcar.

Após a consolidação do modelo de etanol de milho no Mato Grosso, o setor passou a voltar sua atenção para regiões com espaço para expansão da produção de grãos. A região MATOPIBA, composta por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, ganhou destaque nesse contexto. A Bahia já possui uma usina em operação, e o Maranhão também começou a aderir ao movimento de expansão do etanol de grãos. Nogueira avalia que as condições climáticas e a estabilidade da janela de plantio nessas novas fronteiras diferem das regiões tradicionais do Centro-Oeste, e apostar integralmente no milho safrinha envolve riscos elevados. O sorgo, por sua vez, ganha espaço por sua maior tolerância a condições de déficit hídrico e altas temperaturas, além de poder ser processado com lógica industrial semelhante à do milho. Discussões técnicas e estudos recentes indicam que, com ajustes nos processos industriais, a produtividade de etanol por tonelada de sorgo pode se aproximar da do milho, e seus coprodutos também apresentam características adequadas para uso na nutrição animal.

A mesma lógica se aplica ao Vale do Rio Araguaia, no leste do Mato Grosso, especialmente na faixa entre Água Boa e Querência. Regiões como Campo Novo do Parecis, Lucas do Rio Verde, Sinop e Sorriso já possuem uma cadeia produtiva de milho madura, com estrutura consolidada de mercado e formação de preços, enquanto o leste do estado apresenta características mais próximas das novas fronteiras agrícolas, onde o sorgo pode ser uma alternativa para produtores que enfrentam maiores riscos climáticos e dificuldades para estabelecer o milho safrinha na janela ideal.

A utilização de coprodutos é outro fator que impulsiona a consolidação do modelo. O DDG (grãos secos de destilaria) tem papel cada vez mais relevante na composição da receita das usinas e na integração com outras cadeias produtivas agropecuárias. Dependendo do modelo de negócio, os coprodutos podem representar de 20% a 30% da receita da usina e são utilizados na alimentação de bovinos, aves e suínos. Nogueira descreve que a usina compra milho, produz etanol e DDG, e os coprodutos são destinados à pecuária regional, formando uma cadeia de economia circular que fortalece a economia local e agrega valor ao milho da região. Esse modelo também explica por que a instalação de usinas gera impactos que vão além da indústria de biocombustíveis em si — criando um mercado consumidor local para os grãos, estimulando investimentos na produção agrícola, melhorando a estrutura de comercialização e impulsionando atividades pecuárias que utilizam os coprodutos.

A perspectiva do setor está se voltando para uma combinação mais flexível de matérias-primas. Como o processo produtivo utiliza o amido presente nos grãos, as usinas podem empregar diferentes matérias-primas, desde que adequadas ao processo industrial. Nogueira considera que, atualmente, o termo mais apropriado é etanol de grãos — seja milho, trigo ou sorgo —, pois qualquer grão que contenha amido pode ser utilizado para produzir etanol e coprodutos, conferindo ao setor flexibilidade para ajustar a combinação de matérias-primas com base em preços, disponibilidade regional, produtividade, condições climáticas e logística. Ele sugere que as usinas existentes de etanol de milho podem evoluir para biorrefinarias de grãos, utilizando diferentes cereais conforme a oferta de cada região. Para o setor, o sorgo é uma matéria-prima competitiva, especialmente em regiões onde seu preço costuma ser inferior ao do milho; para os produtores, o sorgo oferece uma alternativa em locais onde o cultivo do milho safrinha apresenta maiores riscos.

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