Parque eólico Hiddels, na Alemanha, é repotenciado para 30 megawatts e entra em operação em 2027
De acordo com pt.wedoany.com-Na Alemanha e nos países nórdicos, uma nova tendência está ganhando força no setor de energia eólica onshore: a repotenciação e a extensão da vida útil estão se tornando opções cada vez mais escolhidas, com a nova capacidade instalada tendendo a se concentrar em locais que já possuem aerogeradores. A razão por trás disso não é uma preferência por locais antigos, mas sim os obstáculos crescentes ao desenvolvimento de novos locais.

A situação na Baixa Saxônia é bastante representativa. A ENOVA Power iniciou a repotenciação do parque eólico Hiddels, na região da Frísia, com planos de substituir as onze unidades antigas instaladas entre 2000 e 2002 — nove Enercon E-66 e duas Vestas V66 — por cinco turbinas Vestas V150 com potência nominal de 6 megawatts cada. Após a reforma, a capacidade instalada do local aumentará para 30 megawatts, ante um nível significativamente menor anteriormente. "Aumentamos a capacidade do local em 1,6 vezes", afirma Fabian Tews, gerente de projetos da ENOVA. As novas turbinas devem começar a gerar energia no segundo semestre de 2027, com produção suficiente para atender à demanda de cerca de 20.500 famílias de duas pessoas. A ENOVA também está construindo uma subestação dedicada para fornecer uma conexão independente à rede elétrica para o local.
Os casos da Suécia e da Finlândia ilustram uma lógica semelhante em nível de portfólio. As turbinas instaladas durante o período de aceleração da construção nos anos 2000 — quando a Suécia se beneficiava de um sistema de certificados de eletricidade tecnologicamente neutro e a Finlândia dependia parcialmente de tarifas feed-in — estão agora se aproximando do fim de sua vida útil projetada de 20 a 25 anos, mas a infraestrutura em que se apoiam permanece utilizável: licenças, conexões à rede, fundações e estradas de acesso ainda mantêm valor. A Locus Energy, empresa do portfólio do fundo SEB Nordic Energy, está exatamente aproveitando essa janela temporal, renovando ou substituindo componentes desgastados enquanto mantém intactos o local e suas instalações de conexão à rede. "A repotenciação nos permite criar valor de longo prazo a partir de ativos eólicos existentes", afirma Elin Löfblad, gerente de portfólio da SEB. No entanto, a Locus Energy ressalta que os longos processos de licenciamento, o direito de veto municipal na Suécia, as restrições cada vez maiores de conexão à rede e o custo de capital para instalações modernas são fatores estruturais que dificultam projetos greenfield, podendo tornar o custo por quilowatt-hora de novos projetos difícil de justificar — especialmente quando há infraestrutura pronta disponível nas proximidades.
Os novos projetos não pararam. A Nordex recebeu um pedido da Westfälisch-Niedersächsische Energie para fornecer doze turbinas N175/6.X para três projetos no distrito de Höxter, na Renânia do Norte-Vestfália, com capacidade total de 82 megawatts e altura de cubo de 179 metros. A construção está prevista para começar em meados de 2027. Além disso, no início de 2026, o mesmo desenvolvedor encomendou três turbinas com altura de cubo de 199 metros para o local de Marienmünster-Altenbergen, marcando a primeira instalação dessa altura pela Nordex. Os prazos de entrega refletem a diferença entre as duas rotas: com pedidos feitos agora, o aço só chegará ao local mais de um ano depois; já a repotenciação em locais existentes pode ter um processo de licenciamento mais rápido do que isso.
Ambas as rotas dependem da mesma cadeia de suprimentos regional, que está se expandindo na Polônia. A Windar Renovables está desenvolvendo sua segunda fábrica de torres na Polônia no CTPark Legnica, alugando quase 29.000 metros quadrados de espaço industrial, além de quase 41.000 metros quadrados de pátio. A produção está programada para começar no quarto trimestre de 2026, com capacidade anual de até 200 torres onshore — correspondendo a mais de 1.000 megawatts de capacidade instalada — voltada principalmente para os mercados polonês e alemão, com previsão de criar cerca de 300 empregos. "A Polônia é claramente um hub logístico fundamental para o fornecimento de componentes eólicos ao mercado da Europa Central", afirma Pelayo Berjano, CEO da Windar Polska.
Os marcos políticos avançam em paralelo com o progresso industrial. A vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Teresa Ribera, durante visita à sede da Nordex em Hamburgo, afirmou que acelerar a implantação da energia eólica é uma questão tanto de clima quanto de segurança: "As energias renováveis — especialmente a eólica — não ficam presas no Estreito de Ormuz." O CEO da Nordex, José Luis Blanco, expressou a mesma visão do lado da fabricação, descrevendo a energia eólica como uma tecnologia que "reduz a vulnerabilidade da Europa a choques externos". O que torna esta onda de repotenciação particular é sua previsibilidade: os cronogramas foram determinados há 20 a 25 anos pelas datas de instalação e atravessam precisamente os países ao redor do Mar Báltico — Alemanha, Suécia, Finlândia, Dinamarca, além da Polônia e dos Estados Bálticos, que estão em um ciclo relativamente mais atrasado. As turbinas substitutas já existem, e as fábricas estão sendo ampliadas; os fatores limitantes atuais do setor continuam sendo os dois já conhecidos: tempo de licenciamento e capacidade da rede.
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