Jorge de Zavaleta, diretor executivo da Associação da Indústria Química e Petroquímica da Argentina, afirmou recentemente que, em 2025, o setor petroquímico do país enfrentará desafios de queda na produção e nas vendas, influenciado principalmente pela fraca demanda interna e pelo excesso de oferta global. No entanto, o gás de xisto de Vaca Muerta promete fornecer impulso para o desenvolvimento de longo prazo da indústria petroquímica a jusante.
Atualmente, a recuperação econômica da Argentina está concentrada no setor de serviços, enquanto o emprego nas indústrias química e manufatureira diminui, colocando o setor em uma situação difícil. Nos primeiros 10 meses de 2025, a produção da maioria dos produtos da cadeia química caiu entre 5% e 7% em comparação com o mesmo período do ano anterior, continuando a tendência de queda observada desde 2024. Em novembro, a produção química e petroquímica registrou uma queda significativa de 18% na comparação anual, com dados de vendas, exportações e déficit comercial igualmente fracos. A queda no valor do comércio deve-se principalmente à redução dos preços internacionais, e não a uma diminuição significativa no volume de fornecimento.
A indústria nacional em geral não está em boa forma, com quedas acentuadas nos setores de calçados, vestuário e construção. Os cortes nos gastos com infraestrutura pelo governo agravaram os problemas nessa área, resultando em uma queda acentuada no consumo de cimento. Devido às dificuldades operacionais, empresas como a Dow Chemical e a Petroquímica Río Tercero já desativaram unidades de polióis poliéter e de diisocianato de tolueno.
Apesar do cenário desfavorável, Zavaleta apontou que o gás de xisto de Vaca Muerta ainda representa uma esperança para o setor químico. Seu teor de líquidos de gás natural chega a 15%, muito superior ao do gás natural convencional, abrindo a possibilidade de seguir o exemplo dos EUA, onde o gás de xisto impulsionou a prosperidade da indústria química. Dada a atual lacuna significativa entre oferta e demanda de ureia no país, a Argentina planeja primeiro desenvolver o xisto betuminoso e projetos de ureia. Após 2030, quando se espera um reequilíbrio do mercado químico global, o país poderá então utilizar o excedente de etano para desenvolver a indústria petroquímica.
Zavaleta acredita que o Regime de Grandes Investimentos Industriais, lançado pelo governo de Milei, é fundamental para atrair investimentos de longo prazo. Essa política garante estabilidade regulatória e fiscal, proporcionando previsibilidade para investimentos em upstream de petróleo e gás, infraestrutura e futuros projetos petroquímicos, o que ajudará a impulsionar a recuperação do setor químico argentino.









