Com a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA) realizando uma reunião crucial de 9 a 20 de março em Kingston, Jamaica, governos estão negociando regulamentos para mineração em alto-mar, o que pode levar ao início da exploração comercial do fundo do mar. Especialistas alertam que decisões nos próximos meses determinarão se o oceano profundo será protegido como "patrimônio comum da humanidade" ou aberto à exploração industrial.
Em um recente briefing para a mídia e formuladores de políticas, Samantha Robb, Assistente Sênior da Ocean Vision Legal, destacou que, embora a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS) estabeleça a ISA como a única autoridade para gerenciar a mineração em áreas além da jurisdição nacional, algumas empresas e governos estão explorando ações independentes. Ela afirmou: "Essa mineração unilateral pode contornar mecanismos destinados a garantir a distribuição equitativa de benefícios e a proteção ambiental, e minar a estrutura de governança internacional."
Até dezembro do ano passado, cerca de 40 países apoiavam uma pausa na mineração em alto-mar, citando incertezas ambientais e lacunas na governança. David William, Líder Regional para a África da Deep Sea Conservation Coalition, enfatizou que o debate sobre mineração em alto-mar se cruza com o novo Tratado do Alto Mar (BBNJ), que entrou em vigor em 17 de janeiro, visando fortalecer a proteção da biodiversidade marinha. Ele disse: "A mineração pode ameaçar ecossistemas frágeis, perturbar as cadeias alimentares e danificar habitats que abrigam valiosos recursos genéticos marinhos."
Emma Wilson, Chefe de Políticas da Deep Sea Conservation Coalition, observou que a ISA está sob pressão para finalizar os regulamentos de mineração, mas dezenas de questões-chave permanecem sem solução, incluindo regras de proteção ambiental e compartilhamento de benefícios. Ela destacou que uma pausa na mineração em alto-mar não interromperia as negociações, mas daria aos governos tempo para resolver questões legais e técnicas, ao mesmo tempo em que protegeria o processo das pressões da indústria.
Nos últimos dois anos, o interesse pela mineração em alto-mar cresceu. A gigante americana de defesa Lockheed Martin retomou seus planos de mineração no fundo do mar do Pacífico através de sua subsidiária britânica. A Deep Sea Mining Company juntou-se à U.S. Defense Industrial Base Coalition e está avançando com pedidos de licença. A Impossible Metals, sediada na Califórnia, solicitou direitos de exploração, visando a Zona Clarion-Clipperton no Pacífico. A canadense The Metals Company solicitou uma licença comercial e, em junho, recebeu um investimento de US$ 85,2 milhões da Korea Zinc.









