Bahia construirá ponte Salvador-Itaparica de 12,4 km com tecnologia chinesa, com inauguração prevista para 2031
2026-05-27 17:00
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De acordo com pt.wedoany.com-O estado da Bahia construirá uma ponte marítima de 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos. O projeto utiliza tecnologia chinesa e, quando concluído, será a travessia marítima mais longa da América Latina. A ponte ligará Salvador à Ilha de Itaparica, com previsão de reduzir o percurso em até 250 quilômetros, encerrando uma espera de mais de 60 anos na região.

Com tecnologia chinesa, Bahia construirá a Ponte Salvador-Itaparica de 12,4 km, a travessia marítima mais longa da América Latina, reduzindo o percurso em até 250 km até 2031.

É importante esclarecer que a Ponte Salvador-Itaparica será a travessia sobre água mais longa da América Latina, e não a ponte com maior extensão total. Este último título permanece com a Ponte Rio-Niterói, cujo comprimento total é de 13,29 quilômetros, mas com grande parte situada em terra. Já a ponte baiana terá quase toda a sua estrutura sobre a água.

A ligação entre Salvador e Itaparica é um planejamento antigo na região, discutido há mais de seis décadas, mas nunca implementado. Atualmente, a travessia depende do sistema de ferry-boats, com um tempo de navegação de cerca de 1 hora, além de filas de 1 a 3 horas em dias de maior movimento. Com a nova ponte, estima-se que o mesmo trajeto leve apenas 10 a 15 minutos de carro, criando um corredor direto para o Recôncavo Baiano e o sul do estado, conectando importantes rodovias federais e com potencial para transformar a logística e o turismo da região.

Uma grande inovação da obra é a adoção de uma tecnologia inédita na América Latina, trazida da China. Um navio cargueiro partiu do país asiático transportando 44 contêineres e mais de 800 toneladas de equipamentos, com materiais para a montagem de plataformas provisórias no fundo da baía, o que reduz a necessidade de embarcações de apoio durante a construção. O projeto está a cargo da Concessionária Ponte Salvador-Itaparica, formada pelas estatais chinesas China Communications Construction Company (CCCC) e China Railway Construction Corporation (CRCC), vencedoras da licitação internacional da obra.

Os dados da ponte indicam 12,4 quilômetros de extensão sobre a água, com um trecho estaiado de cerca de 900 metros e um vão central com altura de navegação de aproximadamente 85 metros, equivalente a um prédio de 28 andares, projetado para permitir a passagem de grandes embarcações sob a estrutura. A construção consumirá centenas de milhares de metros cúbicos de concreto. O investimento, aprovado pelo Tribunal de Contas do Estado da Bahia em 2025, é de cerca de R$ 10,4 a R$ 11 bilhões. A obra segue o modelo de Parceria Público-Privada, envolvendo financiamento do governo federal, do BNDES e do banco dos BRICS, com um prazo de concessão previsto de cerca de 35 anos, incluindo o período de construção.

De acordo com o cronograma do Tribunal de Contas do Estado, as obras de fundação da ponte começarão oficialmente em junho de 2026, com um prazo de construção estimado em cerca de 5 anos e entrega prevista para junho de 2031. O projeto terá frentes de montagem simultâneas em Itaparica, no centro da baía e em Salvador. Além da ponte em si, o empreendimento inclui novas vias e túneis em Salvador, 22 quilômetros de vias expressas na ilha e a duplicação de trechos de rodovias.

Segundo a concessionária, a ponte beneficiará diretamente cerca de 10 milhões de pessoas em 250 municípios, ampliando o acesso a regiões que hoje dependem do transporte marítimo. Durante a construção, a previsão é gerar cerca de 7 mil empregos, com prioridade para a mão de obra local. A obra também simboliza o aprofundamento das relações entre Brasil e China em projetos de infraestrutura. A CCCC, uma das maiores construtoras do mundo, está envolvida em diversas pontes de grande porte e fornece suporte técnico ao projeto baiano.

A cooperação em infraestrutura entre China e Brasil também se manifesta em outras áreas. Recentemente, a Ferrovia Transnordestina recebeu cerca de 33,9 mil toneladas de trilhos provenientes da China, com obras em andamento no Ceará e em implementação no Piauí. A Transnordestina é considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola e mineral da região, impactando diretamente o desenvolvimento econômico e a conexão com os principais corredores de exportação.

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